Aviação
Militar /
Ásia
Mega venda militar
Japão vai receber fortíssimo reforço aéreo
José PEDRO Magalhães Ramos
7/12/2020
O Japão e os Estados Unidos estão chegando a acordo para uma imensa venda de caças às forças armadas deste país asiático.
O pacote prevê nada menos que o fornecimento de 105 caças Lockheed Martin F-35, sendo 63 do modelo "A", para uso apropriado por forças aéreas e 42 do modelo "B", esta mais adequada para uso por forças navais, tais como marinha ou fuzileiros navais.
As diferenças entre as duas versões são grandes. A versão "B" conta com um grande Fan à frente do motor, o qual serve para gerar sustentação nas operações de decolagem ou pouso verticais/curtos. Uma comporta se abre acima do fan para permitir a entrada de ar nas operações stol/vtol. Seu peso é maior e a área de asa também, para suportar o maior peso.
O trem de pouso e estrutura em geral é mais reforçada para suportar a operação em conveses de porta-aviões. Este modelo, entretanto, conta com uma das mais severas limitações impostas ao modelo e descobertas tardiamente, atribuíveis a erros de projeto: o avião não pode sustentar velocidades supersônicas exceto por curtíssimos períodos e ainda assim em números mach muito modestos.
Uma coisa fica muitíssimo clara, a escalada militar na Ásia, incentivada, certamente, pelo crescimento da rivalidade entre Estados Unidos e China, o que parece estar levando os países aliados dos EUA a um nível de militarização consideravelmente crescente. O fato de, em Dezembro de 2018, o Japão ter anunciado a construção de dois porta-aviões, fato que não ocorria desde a Segunda Guerra Mundial, alinha-se com a anunciada venda de caças F-35B que prestam-se justamente a este tipo de uso.
O valor total da transação ascende a astronômicos 23 bilhões de dólares, aí incluídos nada menos que 110 motores F135 e apoio aos traslados entre outros mimos.
A entrada em serviço deverá causar a aposentadoria dos veneráveis F-4 ainda operaodos pelas forças armadas japonesas, mas também dos primeiros lotes de F-15, aeronave da qual o país opera cerca de 200 unidades.
Especula-se que o F-15 terá que continuar em serviço e ser modernizado para enfrentar ainda um longo tempo de serviço pois o caça, embora menos moderno que o F-35 é muito superior em performance e em capacidade de combate aéreo clássico, o chamado dogfight. Fontes do pentágono dizem que o F-35 dispensa velocidades supersônicas e nunca chegará a enfrentar dogfights pois sua imensa capacidade de combate BVR abaterá qualquer advsersário antes que o cenário evolua para WVR.
Bem... O Russia e a China não parecem nada convencidas disso pois continuam investindo forte no desenvolvimento de caças de quinta geração que sejam furtivos mas também supersônicos e com forte viés de combates clássicos.
É amigos, acho que aquelas velhas teorias de "one circle", "two circle", "lead/lag/pure pursuit", "flat scissors", "rolling scissors", e outros conceitos, quem esquecer deles poderá ter uma surpresa nos combates aéreo do futuro.
Isso já aconteceu quando se achou que os mísseis haviam tornado obsoletos os canhões o que levou os Estados Unidos e produzir o F4 e outros caças sem canhões. Isso deixou seus pilotos em sérios apuros no Vietnam e tiveram que equipar seus caças às pressas com canhões convencionais.
Enfim, esta não é a primeira vez que alguém pensa que o combate aéreo convencional acabou e assim como aconteceu na primeira vez, talvez venha a se revelar um grande erro. Rússia e China, pelo sim pelo não continuam fazendo seus aviões capazes de travar combates aéreos pelos métodos convencionais.
O Japão envereda fortemente pela escola americana de designe aéreo militar do século XXI, uma tendência que todos têm que seguir pelo seu conteúdo inovador, especialmente a tecnologia furtiva mas também uma espetacular integração de sistemas, um poderoso data link e outros.
Mas abandonar os paradigmas do passado pode se revelar um erro doloroso dentro de algum tempo. Esperemos para conferir!
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José PEDRO Magalhães Ramos
É um profissional com quase quatro décadas de experiência em aviação. Passou pela Rio Sul e TAM nos anos 1980 e em 1990 ingressou na Vasp onde ficou por 10 anos na área de Engenharia. Criou e operou por 4 anos o site www.aerospace.com.br, hoje extinto e em 2004 entrou na Gol, tendo ficado até 2017 e passado por várias áreas técnicas e de negócios. Atualmente como consultor técnico ainda - e sempre - na área de aviação, dedica seu tempo particular para criar e operar este nosso portal!
  
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