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Depois do Concorde...
Vem aí novo avião supersônico?
José PEDRO Magalhães Ramos
8/3/2020
A empresa de tecnologia Virgin Galactic, do Reino Unido, já conhecida do grande público por suas inciativas de popularização da viagem espacial de turismo, reportou importantes avanços no desenvolvimento de seu programa para trazer de volta os voos civis supersônicos.
A proposta é de construir um avião capaz de cruzar a incríveis mach 3.0. Para dar uma ideia do que isso representa, o lendário Concorde, um dos mais icônicos aviões da história, e que encerrou precocemente sua carreira em 2003, cruzava a mach 2.o "apenas".
A diferença de conceitos, entretanto, é enorme. O Concorde pretendia ser um airliner clássico, com capacidade para mais de 100 passageiros, adequado para sua época de projeto, pretendia ser o próximo grande passo no progresso da aviação comercial, que havia acabado de evoluir dos aviões a hélice capazes de algo em torno de 550 km/h para a era do jato, com cerca de 900 km/h e agora com o Concorde almejava trazer para as massas uma velocidade de 2200 km/h - rotineiramente.
Em oposição a isso, o novo conceito da Virgin Galactic almeja uma nave para até 19 passageiros.
A minúscula capacidade da nave, infelizmente parece nos revelar uma triste realidade de nossos tempos: a concentração de riqueza, renda e poder nas mãos de poucos, uma vez que uma nave de 19 passageiros não estará ao alcance de praticamente ninguém exceto aqueles poucos habitualmente feitos ao consumo de altíssimo e exclusivíssimo luxo algo que, convenhamos, não parece nem um pouco alinhado com as necessidade do momento do gênero humano, inclusive no tocante ao meio ambiente.
Enfim, quem sabe traga ao menos uma novo canal de desenvolvimento de tecnologias para que um dia se possa voltar novamente a sonhar com aeronaves supersônicas para as massas, como um dia foi o Concorde, infelizmente inviabilizado pelo fim dos derivados de petróleo baratos no início da década de 70 do século passado.
Embora seja uma empresa reconhecida tecnológica e inovadora a Virgin Galactic não está sozinha no projeto e tem como aliada de peso a britânica Rolls Royce.
A britânica ficará a cargo de desenvolver a tecnologia de propulsão da nova nave. A experiência prévia desta empresa no desenvolvimento destas tecnologias é comprovado, afinal foi ela que desenvolveu os motores Olimpus 593 usados no Concorde.
Trata-se de um motor incrivelmente versátil confiável e robusto - ou não poderia ter sido usado num avião capaz de voar por 4 horas a mach 2.05 - originário de um projeto origina da Bristol Aerospace que foi usado numa grande variedade de aeronaves, mas também em aplicações industriais, usinas termelétricas e até mesmo navais. Por exemplo o porta aviões britânico HMS Invincible que lutou na guerra das Malvinas/Falklands usava 4 desses motores, assim como o Concorde. As fragatas da marinha brasileira da classe Niterói também foram equipadas com 2 destes motores.
Apesar do elitismo é claro que é um conceito apaixonante e possivelmente enfrentará desafios imensos para ser implementado. Basta lembrar do que foram os desafois para criação do SR-71 pela Lockheed Martin (EUA) ou do MIG-25 (antiga União Soviética), aviões capazes de Mach 3+ e que necessitaram do desenvolvimento de tenologias muito específicas para alcançar este objetivo.
Boa sorte à Virgin Galactic!
Crédito imagens: Virgin Galactic (divulgação)
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José PEDRO Magalhães Ramos
É um profissional com quase quatro décadas de experiência em aviação. Passou pela Rio Sul e TAM nos anos 1980 e em 1990 ingressou na Vasp onde ficou por 10 anos na área de Engenharia. Criou e operou por 4 anos o site www.aerospace.com.br, hoje extinto e em 2004 entrou na Gol, tendo ficado até 2017 e passado por várias áreas técnicas e de negócios. Atualmente como consultor técnico ainda - e sempre - na área de aviação, dedica seu tempo particular para criar e operar este nosso portal!
  
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