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737 Max
FAA quer mudanças mas retorno pode estar longe
José PEDRO Magalhães Ramos
8/3/2020
Recentemente a FAA - Federal aviation Administration, agência reguladora da aviação civil dos Estados Unidos, listou as mudanças que espera obter antes de liberar o modelo da Boeing 737 Max 8 e Max 9 para retorno às operações de voo.
A Agência almeja quatro importantes alterações:
(1)Dotar os FCC's (Flight Control Computers) de novo software com novas control laws, (2) alterações no software do MDS (Max Display System) para detectar disagree entre os sensores AOA, (3) alterações no AFM e (4) alterações no roteamento das cablagens do Stabilizer Trim.
As alterações propostas, ao menos as três primeiras não surpreendem e estão em linha com as investigações dos dois desafortunados acidentes que levaram à suspensão das atividades do modelo.
O software dos FCC's pretende abordar o excesso de atuação do MCAS (Manouverability Characteristics Augmentation System) que leva a sucessivas atuações do stab brim para pitch down levando a aeronave a um mergulho potencialmente fatal.
Já as alterações do MDS pretendem implementar um alerta de disagree que dê ciência aos pilotos ultrapassar um certo nível limite.
As alterações do AFM seria uma adequação das instruções dadas por este manual para que os pilotos disponham de procedimentos que abordem suficientemente os sistemas do avião e procedimentos para lidar com eles. Esta foi uma forte crítica originária de muitas associações de pilotos que consideram que a Boeing omitiu de seus programas de treinamento o conhecimento relativo ao MCAS e ao seu supostamente exagerado poder de comandar um pitch down irrecuperável.
Estas modificações do avião precisarão ser acompanhadas de alguns testes para que as aeronaves possam ser liberadas para o retorno ao serviço. As principais seriam um teste do sistema de indicação de AOA (Angle of Attack) e a realização de voo de ensaio em todas as aeronaves afetadas, ou seja, toda a frota.
Algo, entretanto, chamou a atenção: a FAA não parece estar imbuída do mesmo senso de urgência que anima a Boeing. A Agência diz que quer analisar detidamente todas as informações e liberar os voos quando se sentir confortável para tal.
Parece mesmo que o retorno dos Max aos céus, embora esteja finalmente fazendo grandes progressos, ainda tem um grande caminho regulatório a percorrer.
Lembrando que a completa parada operacional do Max em todo o Mundo, o estacionamento de cerca de 500 aeronaves produzidas em Renton em vários aeroportos do estado e finalmente a paralisação da produção do modelo, uma decisão dificílima de tomar, levou a Boeing a acumular prejuízos que já se aproximam dos 20 bilhões de dólares, segundo fontes.
Não e fácil a situação da Boeing no tocante ao seu modelo de maior sucesso. è natural que seus executivos estejam ansiosos, mais do que a FAA, para a normalização das operações.
Vejamos agora quanto ainda pode faltar para que isto finalmente ocorra.
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José PEDRO Magalhães Ramos
É um profissional com quase quatro décadas de experiência em aviação. Passou pela Rio Sul e TAM nos anos 1980 e em 1990 ingressou na Vasp onde ficou por 10 anos na área de Engenharia. Criou e operou por 4 anos o site www.aerospace.com.br, hoje extinto e em 2004 entrou na Gol, tendo ficado até 2017 e passado por várias áreas técnicas e de negócios. Atualmente como consultor técnico ainda - e sempre - na área de aviação, dedica seu tempo particular para criar e operar este nosso portal!
  
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