Aviação
Militar /
Rússia
Sukhoi e Mig juntas!
Governo russo anunciou fusão das construtores de seus notáveis caças de superioridade aérea
MiG 29
Public Domain
Rafael Ramos
4/14/2021
“MiG é sinônimo de caças soviéticos durante a guerra fria. Sukhoi é sinônimo de aeronaves de alto poder de combate.
Os boatos de que haveria uma fusão entre essas empresas circulavam a imprensa russa. A “Divisão de Aviação de Batalha” é a nova holding que foi anunciada pelo governo russo. A divisão faz parte da estatal United Aircraft Corporation (UAC).
“A Sukhoi foi comercialmente mais eficaz que a MiG. Mas, surpreendentemente, foi o diretor da Sukhoi quem acabou demitido. Este é o resultado da rivalidade interna da elite russa”, diz Dmítri Litôvkin, o editor-chefe da revista militar Nezavíssimoie Voénnoe Obozrénie (em uma tradução livre, “Observatório Militar Independente”).
MiG-35
Dmitriy Pichugin, GDFL 1.2, via Wikimedia Commons
A Sukhoi assinou grandes contratos de exportação de bombardeiros Su-34 e caças multifunção Su-35 e concluiu o desenvolvimento do caça de quinta geração Su-57 Sukhoi acabou se tornando a fábrica mais lucrativa de aviões da Rússia. Tudo isso entre 2011 e 2017, quando Ozar era o presidente da empresa. Essas ações fizeram com que a receita da Sukhoi, em 2018, fosse de mais de 1,5 bilhões de dólares, com um lucro de 550 milhões de dólares ante a receita de 1,2 bilhão de dólares e o lucro de 500 milhões da MiG.
As duas empresas travaram uma competição comercial por muitos anos e acabou resultando na demissão do diretor da Sukhoi, Ígor Ozar. Dessa maneira, quem ficou com o cargo de diretor da nova holding foi o diretor da MiG, Liá Tarássenko.
“A Rússia moderna simplesmente não precisa de tantos aviões de combate como na época soviética. Assim, uma das principais razões para a fusão é a necessidade de diminuir os gastos do país com a aviação militar e tornar os projetos existentes mais comercialmente atraentes para os clientes estrangeiros”, diz Litôvkin, o editor-chefe da revista militar Nezavíssimoie Voénnoe Obozrénie.
MiG-3
Produzido em 1941
Alex Polezhaev, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
“A nova empresa continuará a trabalhar nos projetos existentes, entre eles o drone ‘Hunter’, caças Su-57 e MiG-35, o bombardeiro estratégico PAK DA, e desenvolverá um novo interceptador para substituir o MiG-31, diz o editor-chefe da revista militar russa “Arsenal Otétchestva”, Víktor Murakhôvski. “O principal objetivo é aumentar os lucros e oferecer aos clientes estrangeiros contratos mais atraentes. A nova empresa intensificará o trabalho no sudeste asiático e nos mercados de aviação da América Latina”, completa o editor.
Os resultados da holding devem ser vistos ainda em julho de 2021, quando a empresa deve apresentar o primeiro avião elétrico russo, durante a exposição militar MAKS-2021.
O grupo United Aircraft Corporation já detinha as empresas MiG, Sukhoi, Aviastar, Beriev, Irkut, Myasishchev, Tupolev e Voronezh desde 2006. Ainda assim, a fusão deve trazer mudanças. “A consolidação das principais capacidades de pesquisa e produção da indústria aeronáutica militar permitirá implementar os programas existentes e desenvolver projetos promissores de uma forma mais eficaz”, afirma o porta-voz da UAC.
Sukhoi Su-35
Por Rob Schleiffert - Su-35, CC BY-SA 2.0
Su-35
Por Aleksandr Markin - Su-35 in flight., CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Sukhoi Su-57
Anna Zvereva, CC BY-SA 2.0 , via Wikimedia Commons
Sukhoi Su-57
Anna Zvereva, CC BY-SA 2.0 , via Wikimedia Commons
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Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.
  
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