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Aviação Militar / Brasil

Dia da aviação de caça

22 de abril: confira a história por trás dessa data

P-47 da FAB com distintivo "Senta a Pua"
U.S. Air Force photo, Public domain, via wiki Wikimedia Commons

Gabriela Ramos

4/23/2021

No dia 22 de abril de 1945, o primeiro grupo de aviação de caça do Brasil realizou 11 missões na Itália durante sua participação na Segunda Guerra Mundial, dia em que realizou um de seus maiores feitos no conflito. Desde então, a FAB comemora nesta data o dia da Aviação de Caça. Conheça um pouco da história da participação da Força Aérea Brasileira na Guerra e do primeiro grupo de caça do Brasil:

A Segunda Guerra Mundial teve início em 1 de setembro de 1939, época em que o Ministério da Aeronáutica no Brasil ainda não existia. Os aviões de caça brasileiros eram ultrapassados e não havia a menor preocupação quanto a isso, pois não eram e não pretendiam ser utilizados em conflitos reais. Eram utilizados somente pelas missões francesas e inglesas para programas de adestramento militar.

Quando a Guerra teve início, o Brasil nem sonhava em participar dela. Porém, as pressões foram aumentando, até que em agosto de 1942, um ano depois da fundação do Ministério da Aeronáutica, o país declara guerra ao Eixo.

Assim, em 1943, nasce o primeiro grupo de caça, com o major-aviador Nero Moura como comandante, e começa a se estruturar a aviação de caça da Força Aérea Brasileira, com pilotos voluntários. Eram utilizados modelos do P-40 Warhawk, até serem introduzidos ao P-47 Thunderbolt, um dos maiores e mais pesados caças até então. “Senta a púa” foi a expressão que ficou conhecida como seu grito de guerra e equivale a algo como "manda bala".


P-47 Thunderbolt
US Air Force, Public domain, via Wikimedia Commons

O primeiro grupo de caça foi apelidado de “Jambock”, que significa “chicote de couro de rinoceronte” e iniciou suas atividades em 31 de outubro de 1944 na Itália, primeiro em Tarquinia e depois, em 4 de dezembro, em Pisa, onde se manteve até o final da guerra. Nessa região, os Aliados possuíam superioridade aérea, portanto a preocupação do grupo era com a artilharia antiaérea da Alemanha, que exercia pesados disparos antiaéreos.

O Jambock foi incorporado a um grupo de caça da Força Aérea dos Estados Unidos, o 350th Fighter Group, como integrante da esquadrilha nas missões de guerra para se habituar com a atmosfera do combate. No início, o Jambock contava com 4 esquadrilhas, representadas por cores (vermelho, verde, amarelo e azul), que depois acabaram tornando-se três, devido às baixas que ocorreram na esquadrilha amarela. O segundo tenente aviador John Richardson Cordeiro e Silva foi o primeiro piloto do grupo morto em combate, em Bolonha, no dia 6 de novembro de 1944, quando seu avião foi abatido por disparos antiaéreos inimigos. Em 11 de novembro as esquadrilhas do Jambock passaram a ser constituídas exclusivamente de pilotos da FAB.

Daí em diante, o grupo de caça perdeu outros pilotos, como os primeiros tenentes aviadores Oldegard Olsen Sapucaia e Aurélio Vieira Sampaio, que morreram quando suas aeronaves colidiram com o chão. O avião de Oldegard caiu após terem seus comandos congelados durante um voo rasante, e o de Aurélio foi atingido pelo inimigo. Já o primeiro tenente aviador João Maurício Campos de Medeiros também teve seu avião abatido, conseguiu saltar com o paraquedas, mas acabou falecendo ao cair em fios de alta tensão.

Outros pilotos acabaram sendo feitos de prisioneiros pelos alemães, como os primeiros tenentes aviadores Ismael da Motta Paes, Roberto Brandini, Othon Correa Netto e Josino Maia de Assis, que saltou após sua aeronave pegar fogo.

O Jambock perdeu mais um piloto, quando o primeiro tenente aviador Waldir Pequeno de Mello e o segundo tenente aviador Rolland Rittmeister pegaram carona em um C-47 da USAF, junto com fotógrafos que pretendiam registrar o voo dos P-47 de uma esquadrilha do Jambock. O C-47 acabou colidindo com o P-47 onde voava o tenente aviador Luiz Perdigão, que sobreviveu ao acidente, mas o C-47 caiu e ninguém sobreviveu. As causas dessa colisão são desconhecidas.

Já o capitão aviador Joel Miranda e o irmão do comandante Nero Moura, o segundo tenente aviador Danilo Marques Moura, foram atingidos pelos alemães em 4 de fevereiro de 1945. Ambos saltaram de paraquedas e sobreviveram, sendo que Danilo conseguiu retornar ao grupo após caminhar por um mês e Joel foi abrigado por partisans, assim como o comandante da esquadrilha, o capitão aviador Theobaldo Antônio Kopp, que também foi salvo por partisans após ter saltado com o paraquedas quando sua aeronave foi atingida em 7 de março. Outra perda que o grupo sofreu foi a do aspirante aviador Frederico Gustavo dos Santos, que morreu em uma explosão causada quando seu próprio avião atingiu um depósito alemão de munição.

Em decorrência de exaustão, desgaste físico e enfermidades, vários pilotos já haviam retornado ao Brasil. No total, foram 6 pilotos afastados por razões médicas.


Em 20 de abril ocorria a retirada da Alemanha.

Naquele famigerado 22 de abril, mais um salto de paraquedas: o tenente aviador Marcos Eduardo Coelho de Magalhães, que, ao cair, fraturou os dois tornozelos e foi salvo por um enfermeiro alemão quando um soldado italiano tentou matá-lo. Foi levado a um hospital, onde o diretor, um alemão, ao reconhecer a derrota da Alemanha na Guerra, rendeu-se a ele. O grupo de caça chegou nessa comemorada data com apenas 22 pilotos e 23 aviões e cumpriu o total de 11 missões.

O XXII Tactical Air Command observou que o Jambock foi um dos esquadrões que mais causou destruição, apesar de ser responsável por apenas 5% do total de missões realizadas.

Ao todo, morreram 8 pilotos, de um total de 48. Oito foram feitos prisioneiros e 6 foram afastados por razões médicas.

Confira fotos e outras informações no link abaixo.





Gabriela Ramos
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