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Aeronáutica /
Sustentabilidade na aviação
Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo reforça compromisso de aviação mais verde
Gol using SAF
Image: Gol
Rafael Ramos
4/26/2021
O Dia da Terra, celebrado em 22 de abril, por si só traz reflexões sobre como temos tratado a natureza. Na ocasião, a Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA) emitiu um comunicado reforçando os compromissos da aviação com a sustentabilidade.
Segundo a associação, houve evolução no que diz respeito à sustentabilidade nos últimos anos, de modo que as mudanças implementadas favoreceram para que o setor de aviação tivesse menos impacto ambiental e nas mudanças climáticas. Além disso, a ALTA afirma que, apesar da pandemia e das dificuldades impostas, o setor de aviação vai continuar contribuindo com a redução dos impactos ambientais e climáticos.
“Apesar das turbulências enfrentadas pela indústria, os objetivos de curto, médio e longo prazo definidos em 2009 permanecem intactos e estão em linha com o Acordo de Paris (assinado em 2015) sobre mudanças climáticas”, segundo o comunicado da ALTA.
Abastecimento de avião
Por David Monniaux - Copyright © 2005 David Monniaux, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nesse sentido, a associação cita:
- Reduzir até 2050 as emissões líquidas de CO2 da aviação à metade em relação ao que eram em 2005. Atingir esse objetivo ambicioso será possível com o investimento contínuo em novas tecnologias e sólidos
mecanismos de apoio para a implantação de combustíveis de aviação sustentáveis.
- Melhorar a eficiência do combustível em 1,5% entre 2009 e 2020. Objetivo de curto prazo que a indústria já atingiu.
- Estabilizar as emissões líquidas de CO2 nos níveis de 2020 com um crescimento neutro em carbono. Um objetivo de curto prazo que será alcançado com medidas operacionais e infraestrutura, tecnologia e combustíveis de aviação sustentáveis.
A ALTA ainda afirma que para alcançar esses objetivos, algumas mudanças e algumas atitudes são necessárias:
- Aeronaves com novas tecnologias e desenvolvimento em larga escala de combustíveis de aviação sustentáveis.
- Medidas operacionais, como taxiamento de aeronaves com um único motor (o que permite economizar combustível durante o tempo em solo), pousos sem reversores (o que economiza combustível e reduz a demanda dos motores na fase de pouso), otimização de APU / GPU (reduzindo o tempo que esta unidade motriz está ligada), decolagem e pouso com flaps reduzidos (obtendo menor resistência do ar e, consequentemente, menor consumo de combustível), entre outros.
- Desenvolvimentos de infraestrutura, como melhorias de navegação para permitir melhor uso do espaço aéreo, voar em trajetórias mais diretas, otimizar a chegada de aeronaves, operações de aproximação e partida, reduzir o consumo de combustível e as emissões.
- Medidas baseadas no mercado, como CORSIA, para preencher quaisquer lacunas de emissões remanescentes até que essas tecnologias estejam disponíveis.
A Associação faz alguns comentários também sobre o uso do SAF (combustível de aviação sustentável:
“A rápida implementação de combustíveis de aviação sustentáveis não requer modificação do motor e é feita de matéria-prima sustentável, não afetando o uso da terra e da água, nem degradando o meio ambiente. Desde 2016, eles foram testados em mais de 300 mil voos e foi demonstrado que, ao longo do ciclo de vida do combustível, as emissões dos SAFs são, em média, 80% mais baixas do que as dos voos movidos a combustíveis fósseis”, diz a nota.
“Os SAFs terão impacto significativo em voos de longa distância, responsáveis por cerca de 75% das emissões totais, o que faz com que haja uma forte tendência do setor em priorizar investimentos na continuidade do desenvolvimento de SAFs. Para a sua implementação é necessário o compromisso dos governos, da indústria energética, dos pesquisadores e do próprio setor da aviação”, diz o diretor-executivo e CEO da Alta, José Ricardo Botelho.
Dessa forma, o SAF pode permitir ao setor a redução de 50% a 70% das emissões. A Alta ressalta ainda que essas metas devem ser atingidas entre 2060 e 2065, mas algumas regiões podem atingi-las antes, dado que várias companhias já definiram metas líquidas zero.
O SAF ainda é um combustível muito caro e representa apenas 0,1% do total de combustível usado na aviação.
As companhias aéreas associadas ao Alta já alcançaram a eficiência de combustível de 3,5%, evitando a emissão de 1 milhão de toneladas de CO2 nos últimos sete anos. Além disso, a frota dessas companhias foi renovada, o que contribuiu para a redução das emissões.
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Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.
  
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