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CBA-123
Turboélice sofisticado da Embraer em parceria com a Argentina acabou descontinuado
CBA-123, destaque para o motor virado para trás
o que permitia um menor nível de ruído interno
Divulgação/Embraer
Rafael Ramos
4/27/2021
No ano de 1986, os presidentes José Sarney, do Brasil, e Raul Afonsin, da Argentina, assinaram um acordo de cooperação para ampliar parcerias entre os dois países. O comandante da Força Aérea Argentina (FAA) visitou as instalações da Embraer e sugeriu uma cooperação entre os dois países para o desenvolvimento de uma aeronave comercial. Na ocasião, a fabricante brasileira estava visando o mercado de aviação regional e tinha planos de criar um avião que que substituísse o EMB-110 Bandeirante.
A parceria foi fechada e logo, em maio de 1987, a Embraer e a Fabrica Militar de Aviones (FMA), se uniram para fazer o projeto virar realidade.
As especificações que a aeronave deveria ter eram as seguintes: cabine pressurizada, espaço para até 19 ocupantes, alto padrão de segurança e dois motores turbo-hélice. O programa foi baseado na plataforma do EMB-120 Brasília. A Embraer chamava a aeronave de EMB-123, porém, para demonstrar a associação entre os dois países, a aeronave recebeu o nome de CBA-123, cuja sigla significa Cooperação Brasil Argentina.
CBA-123 na linha de montagem
Divulgação/Embraer
O novo avião era apelidado de Paraná pelos argentinos e de Tapajós pelos brasileiros. Porém, o modelo deveria ser reconhecido no mundo todo, uma vez que o objetivo do programa era atingir o mercado internacional. Foi escolhido então um nome que fosse de fácil pronúncia no mundo. O nome era Vector.
A carga de trabalho de 300 milhões de dólares foi dividida, 70% para a Embraer e 30% para a FMA. Duas linhas de montagem da aeronave foram criadas. Uma em São José dos Campos (Brasil) e outra em Córdoba (Argentina).
O avião diferenciado foi apresentado no dia 30 de julho em São José dos Campos (SP), e contou com a presença do então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello e o da Argentina, Carlos Menem. O que mais chamava atenção no design eram os motores turbo-hélice voltados para trás, na configuração “pusher”.
Roll-Out do CBA-123
Divulgação/Embraer
O desempenho de voo era bom para a época. A velocidade máxima chegava aos 612 km/h e a autonomia chegava a 1800 km. Esses números atendiam bem ao mercado de aviação regional dos anos 90.
A partir do ano de 1991, o projeto foi interrompido várias vezes. O CBA-123 era sofisticado e avançado e exigia muito investimento. Na época, a Embraer passava por dificuldades financeiras e, para piorar, a FAMA também, o que dificultava o repasse de verbas para o projeto conjunto. Outro agravante foi a crise do petróleo de 1990.
Em 1992, o projeto CBA-123 foi oficialmente cancelado. A Embraer e a FAMA haviam firmado um contrato inicial para adquirir um total de 60 aeronaves, mas apenas dois protótipos foram produzidos e, com a desativação do programa, foram desmontados.
Os exemplares passaram por um processo de restauração como parte das comemorações de 40 anos da Embraer. A revitalização das aeronaves terminou em maio e em julho de 2009. Hoje as aeronaves estão expostas em museus.
O CBA-123 trouxe conhecimento para a empresa e ajudou na construção do ERJ-145, o que ajudou a elevar a empresa Brasileira a o posto de terceira maior fabricante de aviões do mundo, atrás apenas de Boeing e Airbus.
CBA-123 exposto no Memorial Aeroespacial Brasileiro
Divulgação/Embraer
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Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.
  
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