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Aviação Comercial / Europa

Airbus A320

EASA solicita troca de bombas de combustível com defeito


Rafael Ramos

4/28/2021

A Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) identificou um problema com a bomba de combustível de aeronaves da Airbus do modelo A320 e família. Cerca de 100 peças estão com o problema apontado pelo EASA.

Se ocorrer o problema, alguns componentes da bomba podem se soltar e causar uma falha de isolamento de energia no sistema. Caso isso aconteça, a bomba de combustível pode se tornar uma fonte de ignição em potencial, com risco de incêndio e até explosão no tanque.


Airbus A320neo
Image: Airbus
Airbus A320neo
Image: Airbus

“Esta condição, caso não corrigida, pode, no caso de operar uma bomba enquanto não estiver totalmente imersa no combustível, criar uma fonte de ignição no tanque de combustível, possivelmente resultando em uma explosão do tanque de combustível e consequente perda do avião”, conforme nota da EASA.

Os aviões dos modelos A318-100 até o A321neo fabricados antes de 30 de junho de 2015 devem ter a peça substituída e o reparo deve ser feito imediatamente pelas companhias, de acordo com a Diretriz de Aeronavegabilidade. A troca das peças deve ocorrer em 10 dias ou 50 ciclos de uso da aeronave.


A Diretriz de Aeronavegabilidade de 27 de abril de 2021 pode ser lida na íntegra no link externo abaixo.

Deve ser notado, entretanto, que por força de regulamento, todos os aviões comerciais usados em operações regulares de passageiros devem ser equipados com sistemas geradores de gases neutros que geram proteção adicional contra problemas de ignição de vapores de combustível dentro dos tanques.

A obrigatoriedade deste equipamento origina-se no acidente ocorrido com o Voo TWA-800 nos anos 90 do século passado. Neste acidente a ignição de vapores de combustível nos tanques centrais da fuselagem, causados por micro curtos-circuitos em fiações elétricas, causou a separação da fuselagem em duas seguida da perda da aeronave a qual caiu no litoral de Nova Iorque, bem à vista dos moradores do litoral norte desta cidade. Uma imagem da qual jamais se esquecerão, sem dúvida alguma.

As investigações mostraram que não apenas os curtos-circuitos, causados pelo deficiente isolamento da fiação elétrica (o avião era antigo e o isolamento tinha-se tornado deficiente com a idade) mas também a acumulação de vapores de combustível nos tanques centrais acima da proporção estequiométrica mínima necessária para a combustão contribuíram para a explosão fatal.

Depois de extensa investigação a regulamentação aeronáutica (SFAR 88) passou a exigir a incorporação de sistemas que preenchessem o interior dos tanques de combustível com gases neutros (neste caso o nitrogênio) para neutralizar os riscos.

Desta forma, a presente preocupação da EASA com problemas elétricos dentro dos tanques, sempre elogiável por que com segurança de aviões NÃO SE BRINCA, não deve assustar as pessoas, não só por que os prazos de incorporação das inspeções ou modificações obedecem a critérios de gerenciamento de riscos, mas também por que, por vasta experiência dos construtores de aeronaves e dos órgãos reguladores, as aeronaves já possuem eficientes sistemas de defesa contra ignição indesejável de seus tanques de combustível.

Infelizmente cerca de 230 pessoas tiveram que pagar com suas vidas para que tivéssemos este nível de segurança hoje em dia (In memoriam).

Como curiosidades finais, (1) uma aeronave do porte do A320 ou 737NG carrega uma capacidade máxima de combustível próxima das 20 toneladas e (2) o programa EWIS (Elctric Wiring Interconetion System) que prevê uma série de ações contra o envelhecimento de fiações elétricas em aeronaves, sofreu forte impulsão e foi implementado em parte graças às investigações do TWA 800 e do Swissair 111, um MD-11 que caiu no oceano perto de Halifax, Canadá, devido ao um incêndio elétrico a bordo, sem sobreviventes.





Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.