PT EN ES Olá internauta. Logon
Tecnologia Aeronáutica / Europa

Emissões zero

Airbus espera substituir o querosene e atingir uma aviação não poluente por meio do uso do hidrogênio

Airbus ZEROe
Image: Airbus

Rafael Ramos

5/6/2021

A Airbus tem planos de voar com a sua aeronave comercial movida a hidrogênio em 2035 e acredita que o novo combustível poderá substituir por completo o querosene, levando à aviação com zero emissões.

Assim idealiza o vice-presidente de aeronaves de emissão zero da Airbus, Glenn Llewellyn. O projeto dirigido pelo vice-presidente tem três aeronaves em desenvolvimento. Todos os protótipos usam hidrogênio como a sua fonte energética primária.

Todavia as metas do Acordo de Paris para redução do impacto ambiental não poderiam ser alcançadas sem o uso do hidrogênio. Desse modo, o hidrogênio é a solução mais promissora para mitigar o impacto climático da aviação. CO2, NOx e elementos traços provenientes da queima do combustível fóssil podem ser reduzidos significativamente.

Esta seria uma solução para os problemas no curto e no médio prazo. hidrogênio tem o potencial de ser o melhor caminho para isso, porém o sucesso da tecnologia dependeria do uso generalizado do hidrogênio nas economias. Além disso, as energias renováveis, como a eólica e a solar deveriam continuar a reduzir seus custos. O custo da eletricidade seria outro fator crítico para a obtenção do hidrogênio a um baixo custo.


Conceito de aeronaves sem emissões
Airbus ZEROe, movidos a hidrogênio
Divulgação/Airbus

Se o hidrogênio for obtido a partir da energia renovável por meio da eletrólise, ele não produz emissões. Essa seria a solução para uma aviação sustentável.

O vice-presidente esperava que o hidrogênio diminuísse significativamente seus custos de obtenção e armazenamento à medida que sua produção aumentasse em grande escala no transporte. Assim o combustível se tornaria cada vez mais competitivo em termos de custos com as opções existentes, como querosene para aviação.

Segundo Llewellyn, Os aeroportos também devem começar a usar hidrogênio para descarbonizar seu sistema de transporte terrestre, permitindo assim que uso do hidrogênio se expanda e que os aeroportos se preparem para receber futuras aeronaves a hidrogênio em meados da década de 2030, mas também devem atuar como centros de hidrogênio atendendo cidades vizinhas.

Cada conceito do Airbus ZEROe representa uma abordagem diferente para alcançar voos de emissão zero, explorando vários caminhos de tecnologia e configurações aerodinâmicas para apoiar a ambição da empresa de liderar o caminho na descarbonização da indústria da aviação.

Airbus ZEROe
Image: Airbus

Um dos projetos é um turbofan para menos de 200 passageiros movido a hidrogênio por meio de combustão com alcance de mais de 2.000 milhas náuticas. Este poderia operar rotas intercontinentais.

O outro projeto é um turboélice de capacidade de até 100 passageiros. O motor turboélice é alimentado por combustão de hidrogênio em motores de turbina a gás modificados com um alcance de mais de 1.000 milhas náuticas para viagens de curta distância.

O último projeto seria um avião corpo de asa mista com capacidade para menos de 200 passageiros. Seu amplo layout de cabine abre várias opções para armazenamento e distribuição de hidrogênio.

A Airbus vai investir milhões de euros até 2025 para determinar qual aeronave deveria trazer ao mercado primeiro. Depois, esse investimento subiria para muitos bilhões, acrescentou Llewellyn.

Os tanques de armazenamento de hidrogênio são maiores e mais pesados do que os atuais tanques de combustível. Assim, é necessário encontrar maneiras inovadoras de armazenar esses tanques nas aeronaves.

"O hidrogênio é seguro e não tóxico - nem mais nem menos perigoso do que outros combustíveis, incluindo gasolina e gás natural", disse ele.

No entanto, a segurança é um fator importante. “É obrigatório atingir as mesmas ou melhores metas de segurança do que as que alcançamos com as aeronaves comerciais existentes.”

Com todos estes desafios, outros fabricantes estão planejando uma aeronave comercial movida a hidrogênio para 2050, porém, nas palavras de Llewellyn, a Airbus quer fazer isso antes, uma vez que é o tipo de solução urgente para a aviação. Llewellyn disse também que a Airbus está trabalhando com todos os fabricantes de motores, sem os quais não seria possível fazer esse tipo de mudança na indústria.





Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.