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Aviação Comercial / EUA

Disputa Airbus-Boeing

As particularidades das relações comerciais entre Estados Unidos e União Europeia

John McArthur/Unsplash

Gabriela Ramos

5/12/2021

Na conhecida disputa Airbus-Boeing, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia já ganharam disputas na Organização Mundial do Comércio pela aplicação de subsídios à sua indústria de aviação, o que já foi motivo de estresse entre os governos e entre as empresas que exportam bens, já que, com a decisão da OMC, teriam de pagar taxas adicionais sobre subsídios ilegais relacionados ao setor de aviação. Medidas de retaliação impostas a ambos somam US$ 11,5 bilhões.

Em março deste ano, as tarifas adicionais sobre certos produtos foram suspensas por quatro meses, a fim de livrar o setor de aviação de auxílios estatais que pudessem distorcer o comércio, além de pretender mostrar a possibilidade de uma melhora nas relações comerciais entre Estados Unidos e União Europeia.

Porém, atualmente ocorrem negociações entre EUA e UE a respeito dessa questão e, apesar do ambiente das negociações ser amigável, ainda há possibilidade de insucesso, o que ocasionaria a retomada de sanções, afetando o comércio e a competitividade entre empresas.

Existem duas questões que podem influenciar estes resultados. A primeira é a reunião entre Estados Unidos e União Europeia, que acontecerá em 14 de junho, com a visita de Biden a Bruxelas, onde encontrará Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Charles Michel, presidente do Conselho Europeu. A reunião pretende oferecer orientações caso a negociação estagne e, apesar de menos provável, o encontro também poderia gerar um acordo para a disputa Airbus-Boeing.

O segundo ponto é a recusa do governo Biden em cortar taxas adicionais impostas em 2018 por “segurança nacional” sobre produtos de aço e alumínio, o que pode frustrar as expectativas da União Europeia. É esperado, portanto, que em junho a UE imponha uma segunda medida contra os Estados Unidos.

A reação dos EUA é incerta, mas Katherine Tai, embaixadora de comércio dos Estados Unidos, afirma que o país reconhece a importância de se unir com a União Europeia no que diz respeito à produção de aço e alumínio, pois, segundo ela, tal ação tem consequências positivas na produção estadunidense de aço, mas reconhece os consequentes conflitos com parceiros comerciais, incluindo a UE.

Os Estados Unidos e a União Europeia dependem um do outro no Acordo de Paris e na reforma da OMC e precisam indispensavelmente chegar a um acordo em relação aos subsídios de aeronaves, além de precisarem encontrar uma forma de impedir que governos estabeleçam concorrência desleal no setor de aviação. Caso contrário, o comércio de aeornaves poderá continuar a ser afetado por medidas restritivas de parte a parte por muito tempo ainda.


John McArthur/Unsplash








Gabriela Ramos
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