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Aviação Militar / Ásia

A questão do S-400

Turquia aposta no diálogo para resolução de problema com os Estados Unidos

S-400
Modelo anterior ao S-500
????????, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Gabriela Ramos

5/12/2021

Segundo Ibrahim Kalin, o porta-voz presidencial da Turquia, o país poderá resolver o problema relacionado ao S-400 através de negociações com os Estados Unidos. Kalin afirmou que o presidente Recep Tayyip Erdogan planeja reunir-se com Joe Biden em uma próxima cúpula da Otan. “Esperamos que o governo Biden tome medidas concretas”, disse. Segundo ele, a Lei de Combate aos Adversários da América Através de Sanções (Countering America's Adversaries Through Sanctions Act – CAATSA) e as questões do F-35 e do S-400 bloqueiam relações bilaterais.

A tensão nos laços entre os dois países aliados da Otan teve início em 2019, quando a Turquia adquiriu o avançado sistema russo de defesa antimísseis S-400 e os Estados Unidos reagiu removendo a Turquia de seu programa de caças F-35 Lightning II, afirmando que o motivo para isso seria a incompatibilidade entre o S-400 e os sistemas da Otan, e que a Rússia poderia utilizar o sistema antimíssil para obter informações secretas sobre os F-35. A Turquia argumenta que o S-400 não é integrado aos sistemas da Otan e que, portanto, não representa nenhuma ameaça à aliança. Em dezembro, os Estados Unidos impuseram sanções à Turquia sobre a aquisição de sistemas de defesa aérea de fabricação russa.

O porta-voz turco observou também que espera que os Estados Unidos reconsiderem tal decisão, pois afirma que o sistema de defesa aérea S-400 não é uma ameaça aos sistemas de segurança da Otan, nem aos interesses de outros países, e que o governo Biden deveria estar ciente disso. Para ele, possíveis preocupações dos EUA em relação a essa questão não seriam baseadas em fatos técnicos.

Kalin ainda afirmou que, se houver condições, a Turquia também pode adquirir mísseis Patriot. “Se formos dois aliados e parceiros estratégicos, podemos resolver isso por meio de negociações”, acrescentou.

Segundo ele, a Turquia não se posicionou contra outros países, mas caso os aliados não deem outras opções, o país buscará alternativas. “Nossa prioridade são os próprios interesses nacionais de nosso país”, afirmou.

Kalin também se manifestou a respeito da violência israelense, afirmando que a Turquia se opõe veementemente aos ataques ilegais de Israel à Palestina. Disse que o país está acompanhando atentamente a questão e as posições de todos os envolvidos. “Precisamos aumentar a pressão sobre Israel de uma forma consistente e sistemática”, disse, e acrescentou que todas as organizações globais urgem mobilização para expor os ataques ilegais de Israel.

Além disso, ele também respondeu às falas de Meral Aksener, presidente do partido IYI, que afirmavam que a Turquia mantinha diálogos com Assad na Síria. Kalin afirmou que apesar da possibilidade de eventuais reuniões entre as unidades de inteligência, “manter diálogo com Assad está fora de questão”.


F-35
U.S. Air Force photo by Master Sgt. Donald R. Allen, Public domain, via Wikimedia Commons








Gabriela Ramos
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