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Aviação Militar / EUA

Suspeitas de espionagem

Dois homens são acusados de venda ilegal de dados da Força Aérea dos EUA

Mathew Schwartz/Unsplash

Gabriela Ramos

5/14/2021

Na última quarta-feira, 12 de maio, dois homens foram presos, acusados de ilegalmente obterem e venderem dados técnicos confidenciais da Força Aérea dos Estados Unidos, segundo comunicado do Departamento de Justiça.

Entre janeiro de 2015 e julho de 2020, pelo menos 1.875 conjuntos de dados conhecidos como ordens técnicas foram supostamente vendidos por Sarfraz Yousuf, de 43 anos, a Marc Chavez, de 53.

Chavez teria pagado ao menos US$ 132.280 pelas informações e, segundo o governo dos Estados Unidos, ele revendeu os manuais com lucro.

Nem os clientes de Chavez, nem as aeronaves e outros sistemas envolvidos foram divulgados.

De acordo com o Departamento de Justiça, “as ordens técnicas em questão neste caso são documentos que cobrem a instalação, operação, manutenção e manuseio de equipamentos e materiais da Força Aérea”.

O Departamento acrescentou que os dados vendidos por Chavez são “de tal importância militar que a liberação (...) pode colocar em risco uma importante vantagem militar operacional ou tecnológica dos Estados Unidos”.

O manual referia-se ao Complexo de Logística Aérea de Ogden na Base Aérea de Hill, em Utah. Trata-se de um depósito de manutenção importante, que recebe F-35, F-22, F-16, A-10, C-130, T-38, além do míssil Minuteman III, entre outros.

Dentre as informações vendidas, estão instruções para manuseio do sistema de giroscópio, que é a ferramenta responsável por estabilizar os sistemas de navegação das aeronaves.

Não se sabe a quais aeronaves pertencem os dados vendidos e nem se a Força Aérea está tomando medidas para aumentar a proteção de seus sistemas.

A venda foi descoberta quando investigadores federais apuravam a venda ilegal de desenhos técnicos do governo por um funcionário da Marinha. Segundo o Departamento de Justiça, a NASC (Newport Aeronautical Sales Corp.), empresa que adquiriu os desenhos, revendeu-os para clientes nacionais e estrangeiros não identificados.

Segundo o Departamento de Justiça, “a polícia descobriu que a NASC também obteve ilegalmente ordens técnicas da Força Aérea dos EUA dos usuários de uma conta de e-mail usada por Yousuf, um funcionário da Summit Aerospace Inc., uma empresa de manutenção de aeronaves com sede em Miami”.

Yousuf era responsável pela segurança dos dados da Summit Aerospace, gerenciando quem recebia as informações técnicas militares. Ele usava o pseudônimo de ‘Mandy’ para negociar os dados e, segundo os documentos do tribunal, ele comunicou aos funcionários da NASC que conseguiria obter acesso aos dados dos sistemas da USAF. Yousuf obteve cerca de 10.870 pedidos técnicos.

Em e-mail citado no depoimento federal, ‘Mandy’ teria escrito: “tenho acesso direto ao Portal da Força Aérea, onde recebo as últimas revisões absolutas dos T.O.'s. GARANTO a vocês a última revisão enviada eletronicamente no momento da solicitação, uma vez que não é restrita!”

O agente especial Marc Nelson declarou em seu depoimento: “Com base em minha revisão dos registros da Força Aérea e minha investigação neste caso, acredito que Sarfraz Yousuf usou seu acesso ao [Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações Técnicas] para acessar TOs da Força Aérea, converteu os TOs para seu próprio uso e depois os vendeu os TOs a várias entidades, incluindo a NASC e a LTC Products”.

Chavez teria comprado de Yousuf informações da Força Aérea em nome da LTC Products, empresa dirigida por Chavez que vende dados técnicos aeroespaciais. Segundo ele, há uma "extensa biblioteca de manuais de reparo de componentes comerciais, particulares e militares que cobrem aeronaves populares como os modelos Boeing, Douglas, Airbus e Cessna, para citar alguns".

Na declaração, Nelson ainda acrescentou que Chavez teria trocado com um cliente do LTC os dados da Força Aérea por dados de manutenção do exército.

Yousuf e Chavez, se condenados, podem pegar até 10 anos de prisão por roubo de propriedade do governo.

Yousuf foi libertado sob fiança de US$ 250.000 após comparecer ao Tribunal Distrital dos EUA em Fort Lauderdale. Chavez, que compareceu ao tribunal federal de Santa Ana, também foi afiançado, no valor de US$ 20.000.


Pietro Jeng/Unsplash








Gabriela Ramos
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