PT EN ES Olá internauta. Logon
Aviação Militar / EUA

O Cadillac dos céus

Conheça a história do P-51, um dos mais importantes aviões que lutou na Segunda Guerra Mundial

P-51D
Daniel Eledut/Unsplash

Gabriela Ramos

5/19/2021

Durante a Segunda Guerra Mundial, nos anos em que o P-51 foi criado e introduzido no combate, o conflito estava estagnado, nenhum dos dois lados conseguiam mais avançar em seus intentos. Eis que, em 1940, dá-se um passo em direção à resolução desta questão: tem início o desenvolvimento de um dos caças mais avançados da época, o P-51, o bombardeiro que revolucionou a guerra.

Não apenas para dar continuidade no combate, mas também porque os caças existentes até então, que visavam apenas defender territórios através de combates aéreos, não eram capacitados a realizar a escolta de bombardeiros, que atacavam outros territórios. Por esse motivo, constituía-se uma grande vulnerabilidade dos bombardeiros americanos, já que essas aeronaves tinham de viajar da Inglaterra até a Alemanha para realizar o bombardeio e retornar, sem escolta. O problema é que este percurso somaria aproximadamente 3.000 quilômetros, e nenhuma aeronave era capaz de voar nem perto disso.

Sendo assim, apesar de ter sido inicialmente projetado como um caça de média altitude para os britânicos, em 1942 o P-51 Mustang estreia na Segunda Guerra Mundial pela Força Aérea dos Estados Unidos.

O caça, além de escoltar os bombardeiros americanos até a Alemanha, também atuava atacando e lançando bombas, tendo sido reconhecido por explodir trens, navios e instalações inimigas na Europa e assolando as defesas dos países do Eixo. Mas o grande destaque da sua atuação era a escolta, já que conseguiu diminuir muito as baixas dos caças estadunidenses, fator que transformou a face da guerra e foi decisivo para o sucesso dos Aliados.

O P-51 era capaz de adentrar profundamente o território inimigo tanto em operações de escolta, defensivas, quanto em operações ofensivas, como nos ataques diretos aos caças alemães dentro de seu próprio território, tendo sido fator determinante no insucesso da Luftwaffe e do poderio industrial alemão.

O caça também foi utilizado na Guerra do Pacífico e em 1944 realizou ataques aos caças japoneses e, em 1945, novamente atuou como escolta aos bombardeiros americanos. Inclusive, um dos contra-ataques japoneses neste conflito foi a um acampamento de pilotos do P-51.

A fabricante North American Aviation foi a responsável pelo desenvolvimento do Mustang, que voou pela primeira vez em 26 de outubro de 1940 com o protótipo norte-americano NA-73X. O P-51 operou até 1984 e também foi utilizado (e igualmente decisivo) em vários outros conflitos, como a Guerra da Coreia, por exemplo; além de também ter sido adotado por outras forças aéreas pelo mundo.

Em 1944, o Comitê Truman classificou o Mustang como “o avião de perseguição mais aerodinamicamente perfeito que existe”.


Quarteto de P-51 do 339º grupo de caça
assumed USAAF, Public domain, via Wikimedia Commons

O P-51 é um avião monoposto e monomotor, com motor a pistão, o que também o favoreceu na guerra, já que isso fez com que pudesse ser muito veloz. O motor era um Rolls Royce de 12 cilindros, e as saídas de escapamentos ficavam nas laterais. Sua velocidade máxima era de aproximadamente 390 milhas por hora (600 km/h), e seu alcance de combate era aproximadamente 750 milhas (1.200 km), número que quase dobrou com o uso de tanques de queda externos, chegando a 1.375 milhas (2.200 km). Além disso, o peso máximo de decolagem era de 5.490 kg e a autonomia da aeronave era de 2.565 km. O teto operacional era de 41.900 pés (12.800 m). Um outro fator importante era o trem de pouso retrátil, sistema moderno para época. Essas características conferiam ao caça uma boa performance de acrobacias e manobrabilidade, tendo sido inovador para sua era.

Quanto ao armamento, o Mustang tinha três metralhadoras em cada asa e as munições ficavam dentro das asas. Também na asa ficavam acopladas as bombas.

A pintura dos Mustangs foi abandonada no fim da guerra, porque como os Estados Unidos se viam próximos à vitória, não viam mais necessidade de camuflar os aviões. Assim, para evitar o custo da pintura, passaram a manter os aviões na cor original do alumínio polido, cor pela qual os aviões são conhecidos hoje. Nessa época, as aeronaves possuíam algo escrito nas laterais ou algum desenho ou pintura no nariz, geralmente feito pelos próprios pilotos, que o faziam para assinar alguma característica ou customização pessoal.

Além disso, na fuselagem colavam-se bandeiras para indicar quantos e quais aviões aquele Mustang já havia abatido. Por exemplo, se um avião tiver três bandeiras nazistas coladas na fuselagem, isso significaria que ele abateu três aviões nazistas.

P-51 ao lado de um F-15
Domínio público, via Wikimedia Commons

O Mustang foi o principal caça utilizado pelas Nações Unidas no início da Guerra da Coreia, mas passou a ser utilizado como caça-bombardeiro para ataques ao solo após o F-86 tomar seu lugar de protagonismo nesse conflito.

Mais de 15 mil unidades do Mustang foram construídas e mais de oito versões da aeronave foram produzidas. Graças à grande quantidade produzida, muitas aeronaves desse modelo passaram a ser vendidas a civis e transformadas em aviões de corrida (como a Reno Air Race, por exemplo), ou de demonstração e show aéreo.

Atualmente, inclusive, é possível comprar um P-51, embora não haja nenhum modelo no Brasil.

Também é importante lembrar dos Tuskegee Airmen (grupo de pilotos de caça negros) e das WASPs (Women Airforce Service Pilots – grupo de mulheres que pilotavam caças para testes, transporte e treinamento de outros pilotos), que realizaram importantes feitos pilotando o Mustang.




Pilotos do grupo Tuskegee Airmen (à direita) e pilotas da WASPs (à esquerda)
U.S. Air Force photo, Public domain (esquerda) / Domínio público (direita) / via Wikimedia Commons

Gabriela Ramos
Gabriela é a mais recente adição à equipe redatorial do nosso site, tendo nos brindado com sua sólida formação em edição, editoração e fotografia, e seu interesse e formação em história e historiografia da aviação. Seu bom gosto e bom senso e grande esperteza e sagacidade na seleção de temas e matérias enriqueceram sobremaneira nosso vocabulário e estilo narrativo. Gabriela trouxe predicados incomuns e veio para ficar, ajudando a apontar o caminho de sucesso de nosso portal.