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Sobre o voo RYR-4978
IFALPA e a ECA emitem nota a respeito do voo desviado na Bielorrússia
Boeing 737-800 da Ryanair
Bene Riobó, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Rafael Ramos
5/27/2021
A Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linha Aérea (IFALPA) e a European Cockpit Association (ECA) lançaram um comunicado sobre o voo da Ryanair que foi interceptado no domingo por aeronaves da força aérea local e forçado a pousar.
O voo 4978 da Ryanair estava com cerca de 170 passageiros a bordo, sendo um jornalista crítico ao governo, que foi preso após o pouso do avião.
Boeing 737 da Ryanair
Domínio Público
O presidente Lukashenko afirma que o avião foi interceptado por uma ameaça de bomba a bordo. A oposição política afirma que o desvio foi proposital para prender o jornalista. O evento, no entanto, deve ser investigado para ser esclarecido. Enquanto isso, companhias aéreas desviam suas rotas que passariam no território aéreo do país.
Confira a nota divulgada dia 24 na íntegra:
A IFALPA e a ECA compartilham totalmente das preocupações expressas pela Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO) em relação ao pouso forçado de voo 4978 da Ryanair em Minsk, Bielorrússia, em 23 de maio.
Os pilotos estão preocupados com o fato de a intervenção da Força Aérea da Bielorrússia ter sido decretada por motivos políticos, em violação da Convenção de Chicago, e equivale a um ato de interferência ilegal, com todas as marcas de sequestro patrocinado pelo Estado.
Solicitamos uma investigação independente sobre esta ocorrência e uma resposta imediata apropriada por parte das autoridades. Este ato sem precedentes, de interferência ilegal, irá potencialmente derrubar todas as suposições sobre a resposta mais segura a ameaças de bomba em voo e interceptações. Sem informações confiáveis dos Estados e dos provedores de serviços de navegação aérea, lidar com esses tipos de eventos torna-se muito mais arriscado de gerenciar.
A IFALPA e a ECA destacam que o piloto em comando tem sempre a melhor visão geral da situação real a bordo e deve ser capaz de reagir com o nível de risco, independentemente das circunstâncias externas. Quaisquer medidas tomadas pelos Estados para lidar com uma ameaça específica devem aumentar a capacidade da tripulação de avaliar a situação por completo.
Qualquer intervenção militar contra uma aeronave civil constitui um perigo intencional para a segurança dos passageiros e tripulantes. A IFALPA e a ECA exortam os Estados e a Comunidade da Aviação Internacional a investigarem e a tomarem medidas rápidas contra ocorrências semelhantes. Solicitamos também à companhia aérea que forneça total apoio aos pilotos e tripulantes de cabine, tanto durante a investigação quanto em relação ao seu bem-estar físico e mental após um evento tão desafiador e estressante.
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Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.
  
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