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Nova estrutura para o A320
Como será a suposta nova asa de alta tecnologia da Airbus?
A320neo
Divulgação/Airbus
Gabriela Ramos
6/17/2021
Na última década, quando a Airbus deu à sua família de aeronaves A320 motores mais econômicos, presenciou-se um significativo aumento da demanda por essa aeronave, que já era a sua mais vendida. Atualmente, buscando novamente esse aumento das vendas da aeronave, a companhia desenvolverá um novo conjunto de asas para o A320.
O objetivo é criar uma asa composta que possa ser produzida em larga escala e que seja acessível, diz Sue Partridge, que é quem lidera o futuro projeto de asa da Airbus. O primeiro demonstrador terá o início de sua montagem nas próximas semanas.
Uma versão atualizada da família A320 poderá vir com uma nova asa, mais leve, que possibilitará uma maior eficiência das aeronaves de corredor único. Além disso, caso a Boeing decida desenvolver uma nova aeronave após o 737 ter atingido seu máximo desenvolvimento, a Airbus já terá uma resposta pronta.
Sash Tusa, analista da Agency Partners, afirma que “a aplicação mais imediata seria se eles decidissem fazer uma reta final da família A320neo. Eles limparam muito a asa, mas nunca fizeram uma reformulação adequada daquela aeronave.”
O projeto de atualizar a asa pode ser interessante para as fabricantes, já que a asa representaria apenas uma fração do custo de uma aeronave inteiramente nova, mas, ao mesmo tempo, possibilitaria operações bem mais econômicas. A Airbus já realizou algumas alterações na aeronave, como, por exemplo, a introdução de pontas de asa que reduzem o redemoinho aerodinâmico, mas a estrutura da asa, até então, permaneceu quase inteiramente inalterada.
Segundo Tusa, uma reforma mais “radical” do A320 poderia custar mais de US$ 4,9 bilhões, o que ainda seria muito menos do que a Boeing gastaria para criar um avião totalmente novo (algo em torno de US$ 15 a US$ 20 bilhões).
A nova asa irá dispor de um design mais longo e fino, com pontas dobráveis para possibilitar o acesso aos portões de aeroportos. Além disso, também haverá na asa uma maior automação e uma técnica de fabricação simplificada. As alterações permitirão um melhor desempenho aerodinâmico e uma maior eficiência de combustível, além de também possibilitar uma extensão de alcance e um reposicionamento do trem de pouso, permitindo que a aeronave se adeque a motores mais eficientes. A previsão é que o projeto de asa seja concluído em 2023.
Após os dois acidentes ocorridos com o Boeing 737 Max, esse modelo ficou paralisado por um período de quase dois anos, o que conferiu à Airbus uma oportunidade para consolidar a sua já existente vantagem sobre a Boeing no mercado de aeronaves de curta distância. Aparentemente, a companhia aposta na atualização da asa para manter esse status.
A321neo
Divulgação/Airbus
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Gabriela Ramos
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