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Vai e vem
As Complicadas negociações entre Azul e Latam
Rafael Ramos
6/21/2021
Que a pandemia afetou em cheio o setor de aviação, todos já sabem. Entretanto, a pandemia afetou mais fortemente alguns do que outros, como é o caso da Latam Brasil, que foi mais afetada do que a Azul, sua rival mais jovem. Em junho e julho, a demanda de voos domésticos este prevista para retomar em 75% da sua capacidade, porém os voos internacionais seguem com menos de 20% da capacidade total, uma vez que o Brasil ainda é bastante mal visto no exterior por conta da demora na imunização e dos altos níveis de contaminação.
O atual cenário da aviação brasileira não favorece a Latam. O mercado de aviação doméstico está muito mais aquecido do que o internacional, e, nesse ponto, a Gol e Azul tem se saído muito melhor do que a Latam. Não se sabe muito bem como a aviação vai ser daqui para frente, mas acredita-se que será diferente do período pré pandemia, conforme explica Jorge Leal Medeiros, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e ex-diretor da Vasp.
A recente compra da MAP pela Gol e o anúncio de expansão da Azul reforçam esse cenário. A Latam permanece em uma situação ruim. A empresa detinha 38% do mercado doméstico em março de 2020, antes da pandemia. Em abril de 2021, esse número caiu para 28,5%. A efeito de comparação, a Azul cresceu de 25% para 45% no mesmo período. “A Latam se fragilizou muito com a Covid. Nos últimos anos, focou muito o exterior e negligenciou o mercado doméstico, dando espaço para as rivais crescerem. Além disso, o governo não ajudou, como sinalizou que faria no início da pandemia.” Com uma dívida estimada em 13 bilhões de reais para a sua operação brasileira, o grupo chileno iniciou um processo de recuperação judicial em Nova York há dez meses. Os principais credores são empresas de leasing e bancos, mas o valor inclui também passagens pagas e não utilizadas”, diz Francisco Lyra, presidente do Instituto Brasileiro de Aviação.
Embraer E195 da Azul
Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz), CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Após o final do acordo de codeshare entre Azul e Latam, ficou claro que a Azul pretende comprar a Latam, aliás, a compra já está classificada como “muito provável”. A Latam diz que não tem intenção de deixar o maior mercado da América Latina. Em contrapartida, antes do fim do acordo de codeshare, as duas chegaram a discutir a possibilidade de integrar as operações.
O acordo de codeshare foi o ponto inicial para as empresas discutirem, em Brasília, junto ao Cade, o assunto da fusão. A conversa, porém, parou na hora de definir quem mandaria nas operações. Cada empresa queria ser dona das operações: A Latam por ser a maior, a Azul por ter o seu centro de operações no Brasil.
A Azul aguarda a Latam apresentar sua proposta de recuperação judicial, que seria em julho, mas foi adiado para setembro por precisar de mais conversas com os credores, que, por sua vez, já demonstraram interesse na fusão. Uma das empresas credoras detém 2% da Aul também. Ou seja, a decisão partirá dos credores.
Airbus A320
Latam
CC BY-SA 2.0, via wikimedia commons
Analistas também estão divididos sobre a fusão. Os que estão a favor, dizem que seria bom, uma vez que a Azul teve uma ótima gestão durante a pandemia. Os contrários, dizem que poderia ser ruim, uma vez que a Azul é a detentora da maior dívida bruta do setor, de 19,4 bilhões de reais. De qualquer forma, a fusão deve ser vista com cautela.
“O Cade deve ver a operação com preocupação. Entende-se que é preciso olhar não só a abordagem tradicional de sobreposição de rotas, mas também a dinâmica futura de mercado”, afirma o advogado Olavo Chinaglia, expresidente do Cade.
Contém informações publicadas na Veja.
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Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.
  
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