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Substituto para o F-5
O F-35 tem grandes chances de ser o próximo caça da Força Aérea Suíça, segundo mídia do país
F-35
U.S. Air Force photo by Master Sgt. Donald R. Allen, Public domain, via Wikimedia Commons
Gabriela Ramos
6/26/2021
De acordo com a SRF (Rádio e Televisão Suíça Alemã) na última segunda-feira, 21, O caça F-35 teria vencido a prova para substituir os caças que atualmente atuam pela Força Aérea Suíça: o F-5 Tiger e F / A-18C / D Hornet.
De acordo com fontes independentes, “tanto financeira quanto tecnicamente, o jato stealth está bem à frente do F / A-18 Super Hornet, do Eurofighter e do Rafale. A Ministra da Defesa, Viola Amherd (Die Mitte), portanto, não tem escolha a não ser solicitar ao Conselho Federal a compra do F-35. O próprio DDPS [Departamento Federal de Defesa, Proteção Civil e Esporte] se recusa a comentar e se refere ao sigilo dos negócios do Conselho Federal. Segundo fontes, os preparativos para a tão esperada decisão do Conselho Federal estão bem avançados. Um comunicado à mídia já havia sido escrito sobre a compra do F-35 em projeto - mas todo o Conselho Federal ainda poderia decidir o contrário”.
O programa “Air 2030” foi lançado pela Suíça para selecionar seu futuro caça, após um referendo ter rejeitado a aquisição do Saab Gripen em 2014 para substituir o F-5E. No programa, quatro caças foram avaliados: o Eurofighter Typhoon, o Boeing F / A-18 Super Hornet, o Dassault Rafale e o Lockheed Martin F-35. O Gripen E acabou não entrando para o teste, já que a agência de compras suíça queria avaliar apenas aeronaves que estivessem operacionais em 2019, tendo “recomendado formalmente” à Saab que ficasse em casa.
O Armasuisse (Escritório Federal de Aquisições de Defesa) emitiu em janeiro de 2020 o segundo RFQ para novos caças às autoridades governamentais da Alemanha, França e Estados Unidos, países onde estão localizados os quatro potenciais fornecedores (Airbus Eurofighter, Dassault Rafale, Boeing e Lockheed Martin).
“A segunda solicitação de proposta é baseada na análise da primeira proposta e em resultados de vôo, simulador e testes de solo, bem como auditorias com as forças armadas operando os caças avaliados. No segundo pedido de proposta, as empresas contatadas através das autoridades governamentais são solicitadas a apresentar a oferta mais vantajosa para a Suíça. A proposta deve incluir os seguintes elementos: preços de 36 e 40 aeronaves, incluindo logística e armas definidas, como ponto de partida vinculante para as negociações detalhadas com o candidato selecionado após a seleção do tipo; ofertas de cooperação entre as forças armadas e as autoridades de compras da Suíça e do país fornecedor; projetos de compensação previstos ou já iniciados”, destaca. Em setembro do mesmo ano, foi aprovado um pacote de financiamento de US$ 6,49 bilhões para a Força Aérea Suíça prosseguir com a compra dos novos caças.
O F-35, então, parece ter mostrado à Força Aérea da Suíça que possui vantagens sobre os outros três concorrentes, apesar das controvérsias e dos problemas já conhecidos. A vantagem seria não só técnica, mas também em termos de custo, já que com US$ 6,49 bilhões a Força Aérea poderia comprar uma quantidade maior de F-35 do que de qualquer outro caça entre os concorrentes.
Além disso, um outro motivo que explicaria o suposto sucesso do F-35 na Suíça seria o seu simulador, que permite que a Força Aérea realize mais missões de treinamento do que poderia realizar com os outros concorrentes. Muitos países estão apostando no LVC (Live Virtual Constructive), que, através de realidade virtual e simuladores, permitem a interligação de aeronaves em voo com simuladores terrestres, podendo criar uma diversidade de cenários complexos envolvendo CGF (Computer Generated Forces).
De acordo com o Coronel Marzinotto, comandante da 32ª Stormo (unidade da Força Aérea italiana, a primeira a operar o F-35 na Europa), “O F-35 está pronto para o LVC. No entanto, neste momento, existem critérios de segurança cibernética e considerações de relevância operacional que tornam prematuro seu uso: é um segmento que não atingiu o nível de maturidade necessário para ser empregado operacionalmente. No futuro, a necessidade de conectar aeronaves em voo e simuladores será reconsiderada, mas por enquanto esses cenários híbridos não fazem parte do processo de treinamento dos pilotos italianos de F-35.” Ainda não se sabe se o sistema de simulador utilizado pela Força Aérea Italiana é o mesmo apresentado à Força Aérea Suíça ou se trata-se de uma versão atualizada que teria atingido o “nível de maturidade” esperado pelos italianos.
O novo caça da Força Aérea Suíça deverá ser oficialmente anunciado até 30 de junho deste ano, com entrega prevista para ocorrer entre 2025 e 2030.
Contudo, de acordo com a SRF, dois dos sete membros do Conselho Federal disseram preferir um caça europeu, como o Eurofighter ou o Rafale, e os críticos prometeram lançar um referendo contra a compra de aeronaves dos Estados Unidos, pois temem que não haja garantia de segurança dos dados. Ou seja, a decisão não se trata apenas de características técnicas. Mesmo assim, apesar do posicionamento destes dois membros, a decisão será tomada por todo o Conselho Federal.
F-35
US Air Force / Ministerie van Defensie, CC0, via Wikimedia Commons
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