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Boeing 737 Max
China avança na recertificação mas retorno do bimotor narrow-body mais famoso da Boeing pode demorar
Boeing
Max high performance climb
Por Oleg V. Belyakov - http://spotters.net.ua/file/?id=110706&size=large, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=58804815
José PEDRO Magalhães Ramos
7/13/2021
Várias informações privadas interessantes a respeito do retorno às operações do Boeing 737 Max na China vazar esta semana e parecem ser positivas para a Boeing e para a normalização de operações de seu bimotor mais famoso o Boeing 737 modelo Max.
Nada menos do que 35 pilotos de teste farão parte de uma equipe que em conjunto com a autoridade reguladora chinesa planejarão as atividades e os voos de ensaio que culminarão com o retorno da aeronave às operações.
No entanto especula-se que esse tempo poderá ser bastante dilatado especialmente em comparação com muitos outros países que já estão operando o Max normalmente.
As autoridades da China tem expressado severas preocupações com a segurança do Max e com a qualidade das mudanças implementadas pela Boeing e pela FAA para garantir que o avião é seguro, e que os problemas que levaram aos dois acidentes que marcaram o início de suas operações e que traumatizaram a aviação comercial do mundo inteiro estão superados.
PROBLEMA POLÍTICO
No entanto há quem garanta que existem interesses geopolíticos em jogo e que a crescente tensão entre a China e os Estados Unidos pode estar levando os chineses a dificultar a retomada de voo das aeronaves norte-americanas.
O jogo geopolítico é pesado. A China faz um grande investimento para desenvolver tecnologia aeronáutica própria na área de aviação comercial. Seus principais projetos são o C919, um narrow body, e o C929, um wide body. Espera-se que estas aeronaves possam operar com motores norte-americanos uma vez que a China ainda não domina a tecnologia de construção de motores aéreos comerciais.
Com a intensificação das disputas entre os dois países a China certamente enxerga a possibilidade de sofrer restrições na sua intenção de acesso a propulsores civis norte-americanos.
Observadores suspeitam que criar entraves ao retorno do Max pode ajudar a fazer a balança das negociações pender para o lado da China na questão de tornar os possíveis futuros motores do C919 e C 929 disponíveis para os chineses os quais, afinal das contas, usarão estas aeronaves para disputar mercado da aviação comercial contra fabricantes europeus e norte-americanos.
ENSAIOS EM VOO
Não se sabe ao certo se a China realmente pretende realizar ensaios em voo reais como etapa de recertificação do Max. Estes ensaios em voo não foram unanimidade de todos os países e jurisdições que já liberaram a retomada de operações do bimotor.
As principais agências certificadoras, especialmente a FAA e EASA, levaram a cabo ensaios reais em voo. Mas atitude da China ainda é incerta e há quem diga que a autoridade chinesa pode simplesmente validar o trabalho de recertificação realizado pelo FAA, como muitas vezes é de praxe em certificações aeronáuticas, ou seja, quando um estado confia na qualidade técnica da autoridade certificadora de outro estado, não há a necessidade de repetir todo o programa de certificação novamente, bastando, mediante critérios e acordos bilaterais entre os estados envolvidos, dar o aval à certificação do estado de origem.
Porém, tendo em vista a suspeita de que fatores geopolíticos possam estar presentes, não é certo que esse caminho vá ser seguido.
A Boeing em especial interesse em ter a China voando o Max novamente e já enviou delegações ao país com esse sentido mas não se sabe a que resultado essa estratégia de aproximações pode conduzir. A posição da Boeing é delicada. Fontes tem mencionado que seus executivos receiam que o prolongamento do impasse afete os planos da fabricante norte-americana de retomar a plena normalidade de sua produção e estabilização de suas receitas, fortemente dependentes das vendas do Max que, afinal de contas, é o jato mais popular da Boeing e um dos mais populares do Mundo, encontrando competidor à altura somente no A-320, da Airbus.
As dificuldades criadas pela paralisação do jato estadunidense, entretanto, não são preocupações apenas da fabricante de Seattle. O governo dos EUA tem motivos para estar preocupado e parece dar sinais de participar da pressão pela retomada das operações através de seus canais políticos e diplomáticos. A secretária de comércio Gina Raimondo deixou claro que os EUA estão "trabalhando absolutamente" para isso (pressionara China a aceitar a volta do jato) ao conceder uma entrevista à Bloomberg em Junho. Afinal de contas a posição da Boeing como expoente da fabricação mundial de jatos comercias é capital para os EUA que "cederá a liderança global" - nas palavras de Dave Calhoun, CEO da Boeing - da aviação comercial e com isso ainda sofrerá fortes impactos na sua balança comercial e domínio da primazia tecnológica - ou ao menos na sua capacidade de continuar competindo eficazmente com a Airbus, o que seria um fortíssimo revés para a nação do Tio Sam.
Lion Air
This is the first Max model that crashed in Sep. 2018, PQ-LQP, Lion Air 610.
Por PK-REN from Jakarta, Indonesia - Lion Air Boeing 737-MAX8; @CGK 2018, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=73958203
Ethiopian Airlines
This is the second Max model involved in a fatal crash, ET-AVJ, FLight 302
Por LLBG Spotter - Ethiopian Airlines ET-AVJ takeoff from TLV, CC BY-SA 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=77232751
Hyperlinks:
José PEDRO Magalhães Ramos
É um profissional com quase quatro décadas de experiência em aviação. Passou pela Rio Sul e TAM nos anos 1980 e em 1990 ingressou na Vasp onde ficou por 10 anos na área de Engenharia. Criou e operou por 4 anos o site www.aerospace.com.br, hoje extinto e em 2004 entrou na Gol, tendo ficado até 2017 e passado por várias áreas técnicas e de negócios. Atualmente como consultor técnico ainda - e sempre - na área de aviação, dedica seu tempo particular para criar e operar este nosso portal!
  
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