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Aviação Comercial / Europa

Aviação sustentável

Pesquisadores apresentam o conceito de uma nova aeronave turboelétrica

Divulgação/Bauhaus Luftfahrt

Gabriela Ramos

8/4/2021

Uma equipe de pesquisadores da Bauhaus Luftfahrt eV anunciou, após quase quatro anos de pesquisa, o chamado Propulsive Fuselage Concept (PFC), uma aeronave turboelétrica comercial que poderá ser fundamental para o desenvolvimento de aviões mais sustentáveis. O jato poderá transportar 340 passageiros e produzirá 4,7% menos emissões de CO2 em comparação com um avião convencional.

A aeronave contará com duas turbinas a gás nos motores das asas, além de um fan elétrico situado na traseira, que explorará o chamado “wake-fill”, uma fonte de energia, pouco utilizada em aviões, que produz um empuxo ao ingerir e reenergizar o fluxo de ar ao redor da fuselagem. Ademais, a configuração da aeronave será compatível com outras tecnologias avançadas, como a de uso de combustível sustentável.

De acordo com os pesquisadores, o “wake-fill” já é muito conhecido no campo da propulsão marítima e, como provado pelos onze parceiros de seis países europeus que participam do projeto, poderá também ser aplicado à propulsão aerotransportada.

Arne Seitz, coordenador do projeto da Bauhaus Lufthart eV, afirmou: “temos enfrentado com sucesso os desafios imediatos que estão associados à integração da propulsão ‘wake-fill’ na fuselagem. Com a prova de conceito realizada, elevamos esta tecnologia para o próximo nível. Nossa conquista pode representar um importante trampolim na maneira de inserir a ‘Fuselagem Propulsiva’ para um possível desenvolvimento de produtos de aeronaves no futuro”.

Os benefícios do “wake-fill” foram testados sob condições de projeto e operações realistas e, por meio de simulações de computador, testes de ventoinha e túnel de vento de baixa velocidade, obteve-se uma compreensão completa dos efeitos aerodinâmicos da propulsão. Os resultados de projeto e análise foram integrados a um pré-projeto de família de aeronaves e a tecnologia foi comparada a um avião igualmente avançado.

A avaliação foi executada pensando o transporte aéreo de 340 passageiros e 12 mil quilômetros de alcance no ano de 2035. O estudo demonstrou uma redução de 4,7% de emissão de CO2 pelo motor turboelétrico em relação a aeronaves mais avançadas ou uma redução de 36% em relação à linha de base do ano 2000.

As emissões de óxido de nitrogênio (NOx) durante o ciclo de pouso e decolagem demonstram redução de 1,8% em relação ao ano de referência de 2035 e de 41% em comparação com a linha de base do ano 2000. A aeronave poderá reduzir emissões de Nox em 20% e 64% em relação aos padrões do ano 2035 e 2000, respectivamente.

O projeto CENTRELINE é coordenado pela Bauhaus Luftfahrt, e o consórcio é composto por onze parceiros de seis países europeus, contando com quatro parceiros de peso, como a Airbus Defense and Space, Airbus Operations, MTU Aero Engines, Rolls-Royce e Siemens, além de quatro importantes universidades europeias: a Chalmers University of Technology, Delft University of Technology, a University of Cambridge e Warsaw University of Technology, com o apoio dos parceiros de consultoria de gestão ARTTIC Innovation GmbH e ARTTIC SAS. A iniciativa recebeu um financiamento de 3,7 milhões de euros pela União Europeia.

O vídeo no link abaixo mostra a visão da equipe de pesquisadores sobre como será voar em 2035.


Divulgação/Bauhaus Luftfahrt








Gabriela Ramos
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