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Intimidando Taiwan?
China utiliza caças J-7 da Guerra Fria para realizar exercícios de ataque em Taiwan
Iran Air Force Chengdy J-7
Shahram Sharifi, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Gabriela Ramos
8/6/2021
Desde setembro de 2020, quando Taiwan começou a rastrear e publicar exercícios militares, a China realizou mais de 170 incursões no espaço aéreo da ilha. Em junho, a Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) de Taiwan foi violada por aeronaves chinesas dez vezes. No mês de julho ocorreram sete incursos e este número tem aumentado. Segundo o Ministério de Defesa Nacional de Taiwan, desde setembro do ano passado aconteceram mais de 170 incursões chinesas no ADIZ.
Em 15 de junho, 28 aeronaves do PLA (Exército de Libertação Popular da China) entraram no espaço aéreo de Taiwan. No dia 17 do mesmo mês, quatro caças da época da Guerra Fria, os Chengdu J-7, apelidados de “aviões de combate do avô” por Taiwan, adentraram no espaço aéreo da ilha, junto com um J-16 e um Y-8, causando surpresa aos especialistas, que esperavam ver as aeronaves chinesas mais avançadas.
O J-7 é um caça de segunda geração da era da Guerra Fria, e teve seu voo inaugural em 1966. Possui velocidade máxima de Mach 2 e até o final da Guerra Fria foi a aeronave chinesa de maior alcance e velocidade, desempenhando um papel de superioridade aérea absoluta. Foram fabricadas diversas versões variantes, utilizadas por outras forças aéreas, como a do Paquistão e do Bangladesh. Estima-se que tenham sido produzidos mais de 2.400 modelos. A produção do jato foi encerrada em 2013, mas até hoje ainda é o caça mais exportado da China, com presença em 17 países.
Muito especulou-se a respeito do porquê de a China ter enviado os antigos J-7 para Taiwan, e especialistas militares explicaram que pode se tratar de um exercício de cerco à ilha. Além disso, fontes militares também debateram a possibilidade de as aeronaves não serem tripuladas e que tenham sido transformadas em drones, mas esta possibilidade foi negada pela Força Aérea de Taiwan, que afirmou se tratar de J-7 reais e não drones.
Os debates acerca da possível conversão dos J-7 em drones se deu por conta de relatórios que sugerem que a China transformou milhares de unidades desativadas do caça em drones, bem como outros modelos de caças, como Q-5, J-6 e J-8.
Ben Ho, analista da força aérea no S Rajaratnam School of International Studies, afirmou que “o PLA faria bem em pegar uma página do manual do Azerbaijão e, da mesma forma, usar o J-7 como uma isca não tripulada para SEAD [supressão da defesa aérea inimiga] durante uma emergência regional”, referindo-se ao conflito de Nagorno-Karabakh, no qual o Azerbaijão obteve vitória militar utilizando ataques de drones contra a Armênia.
Já outro grupo de especialistas acredita que os J-7 convertidos em drones poderiam estar testando a resposta da Força Aérea de Taiwan, para checar se todas as suas aeronaves estavam voando novamente.
De acordo com o Global Times, especialistas chineses afirmaram que o exercício com os J-7 mostrou o alto nível de preparação e controle do PLA sobre a região, demonstrando que suas aeronaves mais antigas também poderiam desempenhar um papel. Song Zhongping, especialista militar da China, afirmou que “eles [os J-7] podem ser equipados com mísseis ar-ar avançados e pods de missão para se tornarem competitivos ainda hoje, e também podem ser modificados em versões não tripuladas”.
Contudo, um relatório do Global Times sugeriu que o PLA estaria considerando desativar gradualmente sua frota de J-7, substituindo-os por caças mais avançados da próxima geração.
Com a declaração da China de aumentar seu orçamento de defesa em 6,8% em 2021, supõe-se que a antiga frota de J-7 será substituída por caças de terceira e quarta geração, como o J-20, que é a mais recente adição à potente força aérea chinesa.
J-16
Ministry of National Defense, Attribution, via Wikimedia Commons
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Gabriela Ramos
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