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Concorrente do F-22
Saiba por que o caça J-20 da China tem venda proibida
J-20
Alert5, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Gabriela Ramos
8/6/2021
O caça furtivo J-20 da China, considerado por muitos equivalente ao F-22 dos Estados Unidos – e até superior em alguns aspectos –, é uma aeronave que atualmente tem sua exportação bloqueada. Isso porque a China tem receio de que sua tecnologia de quinta geração caia em mãos erradas, de acordo com Song Zhongping, ex-oficial da Segunda Artilharia (força de mísseis da China), em entrevista de 2014 para a TV chinesa Phoenix.
Além disso, Zhongping também afirmou que, a não ser que os Estados Unidos vendessem o F-22 a seus aliados, não teria necessidade de a China exportar seu caça J-20 a seus aliados e que, já que os Estados Unidos só forneciam a seus aliados o menos capaz F-35, então a China exportaria para seus aliados somente o FC-31, que é supostamente equivalente ao F-35 em termos de tecnologia e desempenho.
Além do temor de ter sua tecnologia dissecada e copiada, a China parece ter um outro motivo para não querer exportar o J-20: evitar uma corrida armamentista na tecnologia de quinta geração entre seus aliados e os Estados Unidos.
Mas não são só esses motivos. Existem outros motivos mais práticos que Pequim prefere não falar publicamente.
No mercado internacional, a indústria militar da China demonstrou um desempenho muito ruim apesar das duas décadas de investimentos maciços em pesquisas relacionadas à defesa. As exportações chinesas desse setor eram, em sua maioria, de itens relativamente simples, como veículos blindados, aeronaves de transporte, artilharia, barcos de patrulha e armas leves. Em 2020, as exportações de armas da China representaram apenas 5,2% do comércio internacional total de armas. A indústria de aviação militar chinesa teve um desempenho ainda pior.
O principal caça de exportação da China será o JF-17, até que o FC-31 entre em operação completamente, o que deve ocorrer nos próximos três anos. Contudo, o sucesso do JF-17 no mercado foi moderado. Apesar de estar presente há mais de uma década, seus únicos clientes são o Paquistão, com 138 aeronaves, Mianmar, com sete e a Nigéria, com três.
Apesar do JF-17 ser mais barato do que a maioria dos caças semelhantes e, além disso, a China oferecer geralmente meios de pagamentos flexíveis, o país ainda assim encontra dificuldades para vender seus caças. Ao que parece, as forças aéreas mundiais não estão convencidas de que os caças chineses sejam de qualidade e somente os países sob sanções e com recursos limitados compram da China, mesmo com os significativos avanços na tecnologia da aviação.
Dessa forma, a explicação de Zhongping do porquê a China não tem exportado o J-20 parecem ser apenas publicidade dirigida ao público doméstico. Assim, ao dizer que não exportará o J-20, a China o coloca em pé de igualdade com o F-22 e, ao afirmar que exportará apenas o FC-31, o país o iguala ao F-35.
Contudo, o F-35 é um caça que apresentou grande sucesso comercial, com mais de 665 aeronaves operando atualmente em 15 países, além de ter sido recentemente escolhido pela Força Aérea Suíça como novo jato de combate em um contrato de US$ 6,5 bilhões. Dificilmente o FC-31 terá um sucesso de vendas similar.
Além disso, existem outras questões envolvidas, como o uso de tecnologia russa. O J-20 e o FC-31 fazem uso de tecnologias russas e, teoricamente, não podem, portanto, ser exportados sem o consentimento da Rússia.
E isso também traz uma questão para alguns militares: talvez faça mais sentido comprar diretamente da Rússia, em vez de comprar da China. A própria China comprou, em 2015, 24 caças russos Su-35 por US$ 2 bilhões.
Sendo assim, parece que a verdadeira razão pela qual a China não demonstrou interesse em exportar o J-20 tem a ver com o fato de que, provavelmente, não será bem aceito mundialmente e há chances de que o FC-31 também não demonstre um desempenho melhor.
Portanto, apesar dos seus avanços e melhorias significativas nas tecnologias de caças, a China parece sofrer um problema de imagem.
J-20
Alert5, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
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Gabriela Ramos
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