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Expansão nunca é demais
Azul avança no mercado de cargas; companhia continua mirando na rival Latam
Man working on a cargo plane from Azul Cargo
Image: Azul Cargo
Rafael Ramos
8/23/2021
A Azul Linhas Aéreas divulgou seus resultados do segundo trimestre, mostrando que o ponto positivo da empresa foi o mercado de cargas, que continua crescendo em ritmo acelerado. Em 2019, a Azul Cargo faturou 500 milhões de reais, sendo que, neste ano, o valor deve chegar a 1 bilhão de reais.
“Essa área ajudou a Azul a não quebrar”, diz John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas
Para efeitos de comparação, antes da pandemia, o faturamento da área de cargas era de 5% do total da companhia. Em certa altura da pandemia, esse valor chegou a representar 45% do total, e agora, que as viagens estão retomando, o valor deve se estabilizar em cerca de 10% do total.
Com a baixa demanda de viagens de passageiros, a companhia adotou soluções como usar os aviões de ociosos para voar apenas com cargas, como está fazendo com o Embraer E190. Além disso, novos clientes do ramo começaram a chegar. “Novos marketplaces, e-commerces, empresas de bens de consumo, montadoras. E estamos de olho nos pequenos comércios.” diz Izabel Reis, diretora da Azul Cargo.
A empresa tinha em sua frota apenas dois cargueiros, do modelo 737-400. Porém o número não para de crescer, e hoje são mais seis aeronaves da companhia operando só o mercado de cargas.
Magazine Luiza, Via, Mercado Livre são alguns dos nomes grandes com quem a companhia trabalha, Shopee, Arezzo, Evino, Wine e logo com Amazon e Riachuelo também. Porém, como o e-commerce não para de crescer, fabricantes pequenos também começam a procurar os serviços de carga da companhia, assim como pequenos fabricantes de queijo da Serra da Canastra.
O crescimento da companhia no mercado de cargas se deve, também, ao investimento que a empresa fez ao longo do tempo. “Nos últimos três anos, investimos mais de R$ 100 milhões em sistemas e infraestrutura. Quando veio esse boom do e-commerce, estávamos preparados”, diz o CEO da Azul.
Além de atender 95% da população brasileira, a companhia tem a solução completa em logística, sendo que oferece os serviços de door-to-door, passando pelo terminal de cargas a terminal de cargas, coleta na casa do cliente e até deixar no terminal de cargas, além de fazer o abastecimento de lojas e shopping. Vale lembrar que antes a Azul apenas levava as cargas de Manaus para Campinas e Recife, onde estão as maiores distribuições da empresa.
E a expansão não para. A Azul Cargo opera voos em 130 cidades, com 300 franquias da divisão de cargas espalhadas pelo Brasil. Logo serão cerca de mais 30 lojas inauguradas.
A Azul, de acordo com dados divulgados pela Anac, tem 35% de market share, seguido por Latam, com 25%, Sideral, com 14,7%, Gol, com 9,7% e outras menores.
O mercado de voos domésticos está se recuperando do tombo que foi a covid. “Em julho e agosto, estamos voando com o mesmo número de assentos como estávamos em 2019. O mercado doméstico está forte. O mercado de lazer voltou com força e estou otimista porque o grande corporate ainda não voltou. Se a Covid-19 não quebrou a gente, é difícil quebrarmos. Passamos pelo maior teste que uma companhia aérea poderia passar”, diz o CEO da Azul.
Agora a Azul segue mirando na aquisição de sua rival Latam. No entanto, o interesse não é recíproco. “Eles não têm interesse em vender e nós temos interesse em comprar. Por isso, o jogo é mais com os credores”.
Com uma dívida de 10,9 bilhões de dólares, em processo de recuperação judicial e com o Charpter 11 acionado, a Latam tenta criar um plano e negociar com os seus credores.
“O Charpter 11 protege a empresa dos credores por um período. E, neste período, a empresa tem a opção de criar um plano. Mas os credores têm de aprovar o plano. Eles vão dizer: ‘você me deve 100, quanto você vai me pagar?’ Se os chilenos falarem que vão pagar 100 não tem conversa. Mas, se eles falarem que vão pagar 20 e eu chego pagando 50, é melhor para os credores e são eles que mandam no negócio”, disse o CEO.
A Latam tem até o dia 15 de setembro para entregar esse plano. A Azul diz estar esperando por esse dia. Qual será o próximo capítulo dessa suposta compra que já vem acontecendo faz algum tempo?
Boeing 737-400f from Azul Cargo
Image: Azul Cargo
Airbus A350
Latam Brasil
Adam Moreira, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
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Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.
  
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