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Força Aérea Argentina mostra interesse no caça russo Mig-35
Modelos do MiG-35 na MAKS de 2019
Alexandr Ermakov, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
MiG-35
Dmitriy Pichugin, GFDL 1.2, via Wikimedia Commons
Rafael Ramos
8/27/2021
Em 19 de janeiro deste ano, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea Argentina (FAA), general Xavier Isaac, e o embaixador da Rússia no país, Dmitry Feoktistov, se encontraram em seu escritório. A argentina, com a empresa russa Rosoboronexport S.A., que desenvolve aeronaves de guerra de alta tecnologia, solicitou informações técnicas e comerciais sobre os caças russos, conforme apurou o TN.com.ar por meio de uma consulta pública.
Os últimos caças supersônicos que a Força Aérea Argentina possuía foram os Mirage. A aeronave ficou em 43 anos de serviço ininterrupto.
Agora, a solução para esse déficit poderia vir diretamente da Rússia. A força Aérea Argentina se recusa a especificar quais são as informações da aeronave pedidas, mas, ao que tudo indica, o interesse foi no Mig-35,já que esse avião atende às especificações técnicas de que o país precisa para ter novamente um caça interceptador.
Um suposto interesse do governo argentino em adquirir caças russos já circula faz alguns meses.
“De acordo com as necessidades de reequipamento da Força Aérea Argentina (FAA), esta solicitou formalmente informações sobre aeronaves de combate para realizar uma análise técnica e comercial”, responderam as autoridades.
Outros detalhes, como especificações técnicas do avião, possível compra de armas e cotação da aeronave, entre outros assuntos, uma vez que essas informações são de Segredo Militar, de acordo com o que estabelece o Decreto 9360/63.
Além disso, além do caça russo, há a possibilidade da Força Aérea Argentina de adquirir o chinês JF-17. Outra opção parece ser a de que os Estados Unidos poderiam oferecer um lote de Bloco 40 dos F-16s a ser modernizado.
A modernização das Forças Armadas seria feita utilizando o Fundo de Defesa Nacional (FONDEF), que foi implantado durante a gestão de Agustín Rossi.
“O mercado russo, chinês ou norte-americano não está fechado. Não há predileção por ninguém em particular. Se for (uma aeronave) ocidental que será ocidental e se não for oriental", disse uma fonte da FAA que expõe a necessidade de o país reequipar uma Força Aérea que foi capaz de surpreender o mundo em 1982 com seus ataques na frota britânica, nivelado com o solo e o mar.
Em 2020, um caça-bombardeiro A-4AR Fightinghawk da Força Aérea Argentina caiu ao sul da província de Córdoba. Gonzalo Fabián Britos Venturi foi expulso, mas morreu e sua morte abriu novamente o debate sobre o orçamento que há décadas não é utilizado para a renovação de equipamentos militares, não só para as FAA, mas também para o Exército e a Marinha. A tragédia da ARA San Juan é outro caso de incidente que visou a manutenção das unidades da frota marítima.
O MiG-35 custaria em torno de US $ 30 milhões, porém o valor pode ser financiado. “Será preciso ver o que a atual gestão nos permite comprometer com os recursos do FONDEF”.
SOBRE O MIG-35
No site oficial da Rosoboronexport, que é o único intermediário estatal russo autorizado a importar e exportar produtos, tecnologias e serviços militares, o Mig-35 foi projetado para atacar alvos aéreos em qualquer clima, dia ou noite e destruir alvos terrestres móveis e fixos.
A aeronave pode voar a 1400 km/h em baixa altitude e a 2100 km/h em alta altitude, com a capacidade de realizar diversos tipos de missão, sendo
patrulha aérea, interceptação e destruição de alvos aéreos, bem como ataques contra alvos de superfície (terrestres).
O avião é compatível com uma série de armamentos, como mísseis ar-ar de curto e médio alcance; mísseis ar-solo; bombas aéreas guiadas; foguetes e bombas não guiadas e um canhão interno. Devido a uma ampla gama de armas juntamente com seu excelente desempenho de vôo, o MiG-35 / 35D oferece alta eficácia em combate.
MiG-35
FFA P-16, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
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Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.
  
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