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Aviação Comercial / África

Violação

Ethiopian Airlines nega que tenha transportado armas no conflito de Tigray

Boeing 737-800
Alan Wilson, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Gabriela Ramos

10/7/2021

Uma investigação da CNN concluiu que a Ethiopian Airlines teria usado seus aviões para transportar armas de e para a Eritreia durante o conflito de Tigray, mas recentemente a companhia aérea negou que tenha feito isso.

A investigação citou “documentos e manifestos de carga” e “relatos de testemunhas oculares e evidências fotográficas” que confirmariam que as armas foram transportadas em aeronaves da Ethiopian entre o aeroporto internacional de Adis Abeba e os aeroportos de Eritreia em Asmara e Massawa em novembro de 2020.

A partir de cartas examinadas pela CNN, a agência afirma ter descoberto que “em pelo menos seis ocasiões – de 9 a 28 de novembro – a Ethiopian Airlines faturou ao ministério da defesa da Etiópia dezenas de milhares de dólares por itens militares, incluindo armas e munições, a serem enviados para a Eritreia”.

A agência afirmou ainda que nestas cartas havia termos e abreviações, como “recarga militar”, “AM” para munições e “riffles”, que seria um erro de ortografia para rifles. A CNN também citou entrevistas com funcionários de companhias aéreas que confirmaram os termos.

Se essas alegações forem verdadeiras, configurará uma violação da lei internacional da aviação que proíbe o uso de aeronaves civis para o transporte de armas militares. Além disso, poderia também ser prejudicada a participação da Ethiopian Airlines na Star Alliance, um lucrativo grupo composto por 26 companhias aéreas globais.

A Ethiopian Airlines respondeu à CNN que “cumpre estritamente todos os regulamentos nacionais, regionais e internacionais relacionados com a aviação” e que “até onde é do seu conhecimento e dos seus registros, não transportou qualquer armamento de guerra em qualquer de suas rotas por qualquer uma de suas aeronaves”. Os governos da Etiópia e da Eritreia não responderam aos pedidos da CNN para comentar a história.

O conflito de Tigray teve início em novembro de 2020, quando o governo da Etiópia acusou a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) de atacar uma base militar federal. O TPLF é o partido governante da região norte que dominou a política nacional por décadas. Em resposta, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, enviou tropas federais a Tigray para uma campanha militar contra o TPLF, que negou a responsabilidade e disse que o ataque relatado era um pretexto para uma “invasão”, dizendo à Al Jazeera que era alvo de um “ataque coordenado” do governo federal da Etiópia e da Eritreia.

Desde então, desenrolou-se uma guerra brutal em Tigray, com relatos de massacres, estupros e outros abusos. Milhares de pessoas foram mortas e outras quase duas milhões ficaram desabrigadas, além das centenas de milhares enfrentando condições de fome, com mais de 22% das pessoas sofrendo de desnutrição na região de Tigray, forçadas a sobreviver com folhas, raízes e flores, de acordo com declaração do chefe humanitário das Nações Unidas, Martin Griffiths. De acordo com ele, esta situação é uma “mancha em nossa consciência”.

A ONU havia alertado no início de setembro que a crise humanitária na região iria “piorar dramaticamente”.

Grant Leaity, coordenador humanitário da ONU para a Etiópia, afirmou em um comunicado em 2 de setembro: “os estoques de ajuda humanitária, dinheiro e combustível estão diminuindo ou estão completamente esgotados”. Ele acrescentou que os estoques de alimentos se esgotaram em 2 de agosto.

“A região permanece sob um bloqueio de ajuda humanitária de fato, onde o acesso para levar ajuda humanitária que salva vidas continua extremamente restrito”, afirmou Leaity, observando que nenhum caminhão conseguiu entrar em Tigray desde 22 de agosto.

As informações são do Al Jazeera.


Fasyah Halim/Unsplash








Gabriela Ramos
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