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Peculiaridades

Conheça os motores a pistão radiais e o porquê de não serem mais usados

Ford 4-AT
Chris Light, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Rafael Ramos

2/8/2022

Os grandes motores radiais eram muito usados em aviões da segunda guerra mundial. Esse tipo de motor a pistão tem o mesmo princípio de funcionamento de um motor de carro, ou moto, ou os aviões pequenos de hoje em dia, como Cessna 172.

A diferença é a disposição dos cilindros. Enquanto motores a pistão convencionais possuem os cilindros em linha, cilindros opostos ou em v, os motores radiais têm um número ímpar de cilindros dispostos em coroa ao redor do eixo do motor.

Esse tipo de motor teve seu uso muito difundido antes e durante a segunda guerra porque geravam muita potência. Devido ao formato do motor, ele pode voar sem capô, o que favorece a refrigeração, já que a área de contato com o ar é grande.

A desvantagem é o arrasto aerodinâmico que gera por causa da sua grande área frontal. Assim, a potência gerada por esses motores acaba sendo, em grande parte, usada para vencer o próprio arrasto.

Além disso, alguns aviões apresentam a solução de estrela dupla. Ou seja, existem duas fileiras de cilindros, tornando o motor mais potente, como é o caso do Douglas DC-3. O problema é que esses motores apresentam um peso muito grande, fazendo com que a sua relação peso/potência não seja tão boa.

Com o surgimento dos motores que usam uma turbina para girar a hélice, como o turboélice, e também os motores a reação, como turbojatos e turbofan, o motor radial caiu em desuso.



Continental R-670-5 radial engine
Daderot, CC0, via Wikimedia Commons

MOTOR QUEBRADO, PINDANDO ÓLEO?

Devido ao seu formato, quando desligado, o óleo do motor radial escorre todo para baixo e acumula no cilindro mais baixo. O óleo passa pelos próprios cilindros, pelo cárter e por tubulações no motor.

Dessa maneira, o óleo vaza do motor por drenos, tubulações específicas para isso, respiros, ou qualquer caminho que existir.

Por isso, é comum ver aviões desse tipo estacionados no hangar com uma bandeja embaixo para recolher o óleo que vaza. Existem até aviões com um recipiente específico para recolher o óleo, que pode ser colocado no motor novamente.

Devido à característica de acumular o óleo no cilindro de baixo, esses motores não podem ser ligados repentinamente. Para que sejam ligados novamente, é necessário que a hélice seja girada nove vezes para que o óleo circule por todos os cilindros. Caso isso não seja feito, pode acontecer o calço hidráulico, que é quando o pistão se move contra o óleo. Como o óleo não é compressível, a cabeça do cilindro pode estourar e causar um grande prejuízo.

Douglas DC-3
Air France
Calips, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons






Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.