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Aviação Comercial / Brasil

Risco de fauna

ABEAR diz que colisões com pássaro aumentaram; perdas chegam a R$110

Bird on airport
Maarten Visser, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Rafael Ramos

2/23/2022

As empresas aéreas associadas a ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) registraram 110 milhões de reais em perdas por colisões com pássaros (bird strike). Este número deve ser ainda maior, uma vez que nem todas as companhias aéreas brasileiras são associadas Abear. Os eventos do tipo têm ocorrido com mais frequência.

“A partir da primeira retomada da operação aérea, durante o 2º semestre de 2020, os “bird strikes” ganharam intensidade e severidade. Da metade de 2021 até agora, a situação piorou em quantidade, perdas materiais e severidade do dano às aeronaves”, diz o diretor de Segurança e Operações de Voo da ABEAR, Ruy Amparo.

Uma explicação para esse aumento é que, durante os meses de maiores confinamentos e pouco movimento devido à pandemia, as aves se proliferaram no entorno das pistas e taxiways, oferecendo um perigo a mais para a aviação.

“Em Congonhas, por exemplo, a população de quero-queros cresceu muito, quebrando um certo equilibro local com as aeronaves”, afirma Amparo. Esse tipo de incidente é uma significativa ameaça para a aviação e já causou muitos acidentes.

No entanto, o número de acidentes graves envolvendo aeronaves civis é bastante baixo e estima-se que haja apenas cerca de 1 acidente resultando em morte humana em um bilhão de horas de voo.

A preocupação com esse tipo de incidente fica mais por conta das perdas financeiras. A média de incidentes do tipo foi de 24,2 colisões a cada 10 mil voos, um aumento de cerca de 12% em relação a 2019. Cerca de 94% dos incidentes aconteceram no aeroporto ou na chamada ASA (Área se Segurança Aeroportuária, um raio de 20 km a partir do centro da pista).

“As perdas das associadas Abear quando há colisão de aeronaves com aves de diversas espécies e outros animais são mais frequentes do que a população imagina. É preciso uma política pública para mitigar os riscos e a Abear, em parceria com os demais stakeholders da aviação comercial estão empenhados nisso”, disse Eduardo Sanovics, presidente da Abear.

Os aviões podem sofrer grandes danos, precisando de manutenção e atrasando voos. Estima-se que quase 41 mil passageiros foram afetados só em 2021.

A Abear lembra que o Cenipa e a Força Aérea Brasileira tinham o poder de vetar construções ou empreendimentos ao redor dos aeroportos que pudessem atrair aves e aumentar os riscos. No entanto, a Lei 12.752/2012, em 2012, retirou essa atribuição do Cenipa e da Força Aérea Brasileira, transferindo-a para os municípios.

A falta de um regulamento para isso tornou o risco ainda maior. Apesar dos aeroportos poderem fazer o manejo de espécies de aves para outros locais longe dos aeroportos, espécies nativas precisam de uma autorização para poderem ser removidas e o processo pode ser lento.

A Abear e todos os stakeholders envolvidos com o tema estão elaborando uma minuta de um decreto para instituir um Comitê Nacional de Risco de Fauna para debater sobre o tema e para criar política públicas.


Ross Parmly/Unsplash








Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.