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Aviação Comercial / EUA

Caso 737 MAX

Ex piloto é inocentado de fraude de dados do sistema MCAS

Boeing 737 MAX
Image: Boeing

Rafael Ramos

3/24/2022

Mark Forkner, principal piloto da Boeing durante o desenvolvimento do 737 MAX, foi considerado inocente por um júri do Texas por quatro acusações de fraudar e esconder da FAA dados do sistema MCAS para acelerar a certificação do avião.

Acredita-se que o sistema MCAS tenha sido o principal culpado pelos acidentes fatais com o MAX. Os promotores argumentam que por causa da suposta fraude de Forkner, um relatório final publicado pela FAA não tinha qualquer referência ao MCAS.

Dessa maneira, os pilotos não foram treinados com o sistema. Eles também argumentam que Forkner soube das mudanças no software em 2016, mas que a FAA não soube delas até depois do acidente do voo 610 em 2018. Forkner poderia ter pego até 80 anos de prisão caso fosse condenado.

Além disso, a Boeing supostamente orientou os reguladores de que os pilotos do MAX só precisariam de um pequeno treinamento a mais, dado que a aeronave é muito similar a gerações anteriores do 737.

A defesa de Forkner diz que ele foi apenas um bode expiatório, já que não teria sido o piloto que pressionou por treinamentos menores para economizar dinheiro, e sim a Boeing.

Forkner foi o único a ser acusado criminalmente após os acidentes do MAX. O veredito do julgamento durou quatro dias e, ao final, o ex-piloto foi inocentado por desconhecer os processos relacionados ao sistema MCAS, uma vez que a defesa diz que ele não estava ciente que o sistema poderia trabalhar em velocidades menores.

Além disso, a Boeing já foi condenada a pagar uma multa por omitir detalhes do sistema para as autoridades dos EUA.

ENTENDA O SISTEMA MCAS

Durante o desenvolvimento, o Boeing 737 MAX ganhou a posição dos motores um pouco a frente e mais altos do que eram no 737 Next Generation. Por este motivo, o modelo poderia levantar o nariz mais do que o desejado durante certas manobras, aumentando as chances de perda de sustentação.

A solução adotada foi o sistema MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobra), que foi desenvolvido pela Boeing especificamente para o 737 MAX 8 e o MAX 9.

O sistema lê os dados de apenas um dos sensores do ângulo de ataque (AoA). Quando é detectado que o nariz do avião está muito alto e a aeronave muito devagar, situação propícia para perda de sustentação, o estabilizador horizontal força a descida do nariz.

Porém, o fato de usar os dados de apenas um sensor torna o sistema menos confiável. Além disso, os pilotos não sabiam da existência do sistema e nem como desliga-lo.

Os investigadores do acidente na Indonésia descobriram que, devido a uma falha no sensor de ângulo de ataque, o sistema MCAS entrou em ação quando não deveria, forçando o nariz da aeronave para baixo.


Boeing 737 NG
Image: Boeing








Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.