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Aviação Comercial / EUA

Numeração “perdida”

Conheça o 717, menor avião comercial já produzido pela Boeing

Boeing 717-200
TWA
Aero Icarus, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Rafael Ramos

4/12/2022

A Boeing não pulou o 717, como parece. Junto com o 707, a Boeing lançou o seu irmão militar, chamado de 717. No entanto, o 717 ficou conhecido como C-135 ou KC-135, o suficiente para afastar o número 717 dos aviões comerciais. A Boeing lançou o 727, em 1960, o 737, em 1967, o 747, em 1969, o 757 e o 767 praticamente juntos, em 82/83, o 777 em 1995, deixando o número 717 esquecido.

A Douglas Aircraft, na década de 60, criou um avião menor, regional, chamado de DC-9. Em 1967, a Douglas Aircraft se fundiu com a McDonnell, formando a McDonnell Douglas. O McDonnell Douglas MD-95 teve seu projeto iniciado no começo da década de 1980, que era uma versão menor do MD-90, que, por sua vez, eram derivados do DC-9. No entanto, a McDonnell Douglas não ia muito bem e foi absorvida pela Boeing em 15 de dezembro de 1996.




Ross Parmly/Unsplash

A partir daí, a Boeing foi em frente com a produção do MD-95, alterando o projeto e o chamando de 717. O Boeing 717 é o menor avião já construído pela Boeing, capaz de levar um pouco mais de 100 passageiros, concorrendo diretamente com outros regionais.

No entanto, o avião foi muito moderno para a sua época, com uma aviônica muito moderna: o glass cockpit e o sistema fly-by-wire. Instrumentos eletrônicos avançados estavam disponíveis, como o sistema central de exibição de falhas e um sistema GPS. Ele tinha a mesma certificação de tipo do DC-9.

O 717 tinha dois motores turbofan Rolls-Royce BR715 na cauda, velocidade de cruzeiro de 822 km/h e um alcance de 3800 km. O avião, quando configurado em duas classes, pode carregar 106 passageiros e, quando configurado em uma única classe, pode carregar 117 passageiros.

No entanto, o avião não teve boas vendas no começo. O primeiro voo ocorreu apenas setembro de 1998. A dificuldade de treinar os pilotos e o pessoal de manutenção num avião completamente diferente dos outros da Boeing também contribuiu para suas baixas vendas no início.

A TWA, companhia que já não existe mais, encomendou 50 unidades. A partir daí, o avião passou a ser um sucesso em seu segmento, cumprindo muito bem a sua função regional e sendo muito elogiado pelos operadores e até pelos passageiros.


Boeing 717-200
Delta Airlines
formulanone, CC BY-SA 2.0 , via Wikimedia Commons

No entanto, a grande concorrência do segmento, que era com o Embraer 170, 190, 195, Bombardier CRJ-700, Fokker 70 e 100 e o Airbus A318 afetou diretamente as vendas do Boeing 717.

Citando fracas vendas, o último 717 foi entregue em abril de 2006. Hoje em dia, existem cerca de 100 aeronaves 717-200 sendo operadas por empresas ao redor do mundo, como a Delta Airlines, a Qantas link e a Hawaiian Airlines. Até hoje não houve nenhum acidente fatal com o avião.


Boeing 717-200
Volotea
Bene Riobó, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons


Boeing 717-200
Qantas Link
planegeezer, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.