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Aviação Comercial / EUA

Prazo limite

Propostas no congresso querem evitar mudanças no 737 MAX 7 e no 10; novo EICAS próximo de ser obrigatório

EICAS screen
Image: Twitter

Rafael Ramos

12/5/2022

Todos os aviões certificados a partir de 1 de janeiro de 2023 precisarão incluir um sistema de alerta de segurança à tripulação. Como a menor variante do 737 e a maior, respectivamente MAX 7 e MAX 10, ainda não foram certificadas, terão que passar pelas mudanças, que seriam caras e atrasariam ainda mais o programa. A nova tecnologia é pensada para evitar acidentes como os que vitimaram 346 pessoas com o MAX.

No entanto, duas propostas de congressistas norte-americanos buscam dar mais tempo para a Boeing. Uma das propostas é do senador republicano Roger Wicker, do Mississipi, que quer dar um prazo de mais dois nos para a fabricante. Já a senadora Maria Cantwell propõe que as aeronaves que tiveram seu pedido de certificação até 27 de dezembro de 2020, que é o caso do MAX 7 e do 10, não precisem se adequar aos novos padrões.

Caso as propostas sejam aprovadas, a Boeing pretende que o MAX 7 inicie o serviço até o início de 2023 o MAX 10 no começo de 2025.

AS MUDANÇAS PROPOSTAS

Depois que o MAX voltou ao serviço no final de 2020, o congresso dos EUA votou uma série de leis que tratam da certificação de novas aeronaves. Uma lei aprovada em dezembro de 2020 exige o Engine Indicating and Crew Alerting System (EICAS) para aeronaves certificadas a partir de 1 de janeiro de 2023. A exigência de um EICAS visa ajudar os pilotos a diagnosticar problemas mais rapidamente. Um visor EICAS dedicado mostra alertas e avisos de forma simples e clara, bem como listas de verificação necessárias.

Os aviões mais modernos já contam com o EICAS. No entanto, para implementá-lo no MAX seriam necessárias muitas mudanças nos sistemas de cockpit, o que a Boeing chamou de impraticável. O novo sistema teria que trabalhar de forma diferente do que é atualmente instalado no 737-8 e 9.

"Aviões mais antigos – como o 737 – mostram o status dos vários sistemas mecânicos do avião com botões translúcidos que tinham uma lógica comparativamente primitiva de "sim / não". Quando um botão marcava, digamos, baixa pressão de óleo, piscava, era a deixa do piloto para se voltar para o manual ou um procedimento memorizado. O EICAS, por outro lado, mostra o nível de combustível, a temperatura do óleo e outros indicadores importantes em tempo real. Se uma falha fosse detectada, uma mensagem apareceria dando aos pilotos mais detalhes sobre como lidar com ela", lê-se no livro ‘Flying Blind: The 737 MAX Tragedy and the Fall of Boeing’ de Peter Robison.

Além disso, tal mudança exigiria treinamentos diferenciados para pilotos do MAX 7 e 10 do que para os pilotos do MAX 8 e 9. A mudança seria boa para a segurança, mas, por outro lado, modificar apenas uma parte da família 737 poderia causar confusão em pilotos do tipo. O assunto causa muita polemica entre nomes importantes da aviação.

De qualquer maneira, o futuro do 737 MAX 7 e do 10 é importante para a fabricante norte americana. O Boeing 737 MAX 7 tem relativamente poucos pedidos, mas se especula que o seu irmão maior, o MAX 10, tenha mais de 900 pedidos. O número exato de pedidos de cada avião não é revelado pela companhia.




Boeing 737 MAX 10
Image: Boeing


Boeing 737 MAX 7
Image: Boeing






Rafael Ramos
Entusiasta da aviação desde tenra idade, teve seus primeiros contatos com a área desenvolvendo aquele bom e velho vício de passar dezenas de horas na frente das telas do Micrsoft Flight Simulator e outros simuladores. Com sólida formação em várias áreas tecnológicas, inclusive engenharia e química, Rafael se reencontra com a aviação como editor e autor de artigos e matérias de nosso portal, prestando inestimável ajuda à dinâmica e expansão do site e à comunidade aeronáutica, trazendo-nos as notícias e atualizações tão indispensáveis para que nos mantenhamos correntes em nossa área de atuação.